Plantas Nativas da Caatinga: Bioma Rico e Pouco Conhecido

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Informe Técnico com Robson Mororó

Na região das Caatingas impera o clima quente semi-árido, com temperaturas médias anuais elevadas e chuvas que variam de trezentos a oitocentos milímetros.

É fácil encontrarmos a imagem da Caatinga associada aos cactos e arbustos espinhentos, sem folhas, sobre um solo pedregoso e árido. Essa é realmente uma das feições desse bioma, que também pode se apresentar como uma mata fechada, com árvores altas, ou como densos maciços de arbustos que perdem as folhas na estação seca, e para reduzir as perdas de água pela transpiração, muitas espécies contam com folhas coriáceas ou com pêlos; a maioria perde as folhas na estação seca, outras apresentam folhas modificadas e caules com capacidade de realizar fotossíntese como os cactos. Algumas espécies também têm estruturas de reserva, onde armazenam água.

São inúmeros os recursos para promover o melhor uso da água pelas plantas nesses ambientes, como o sincronismo das épocas de floração e frutificação e a dormência de sementes para germinação na época propícia, indicam do que a evolução conjunta do ambiente físico e sua flora levaram ao desenvolvimento de sistemas altamente eficientes no uso do recurso mais precioso: a água.

O conceito que normalmente se tem sobre a Caatinga vem da classificação feita pelo botânico Martius, que denominou as Caatingas de Silva Horrida, fruto da percepção dessas condições ambientais tão diferentes das européias com as quais estava acostumado. E não há dúvidas que, em certas áreas e durante a estação seca, a paisagem da Caatinga parece inóspita e agressiva. Ao menor sinal de chuva, no entanto, a paisagem muda: o verde volta a prevalecer e as flores se abrem para receber seus polinizadores. A vida se reinventa na Caatinga. Mesmo sofrendo os efeitos seculares da ação humana e das longas estiagens, a Caatinga possui uma rica diversidade ainda a ser estudada.

Reporta-se mais de mil e trezentas espécies de plantas na Caatinga, das quais seiscentas são lenhosas. Em levantamento feito a partir de literatura técnico-científica e de consultas a herbários, registram trezentas e dezoito espécies de plantas endêmicas do bioma, pertencentes a quarenta e duas famílias. Exemplo: Juazeiro, Baraúna, Aroeira-do-Sertão, Umbuzeiro, Imburana de Cambão, Angico, Catingueira, Pereiro, Faveleira, Cactos, Mandacuru, Quipá, Facheiro, Xique-Xique, Coroa-de-Frade, Macambira, Caroá, Catingueira, Jurema, Mororó, Pau-Ferro, Canafístula-de-Besouro, Imburana-de-Cheiro, Mulungu, Faveleira, Marmeleiro, Caatingas-Brancas, Velames e Maniçobas. Já nos terrenos aluviais das margens dos rios temporários, encontramos o Juazeiro, Craibeira e Trapiá.

Uma enorme quantidade de espécies medicinais e alguns recursos alimentares importantes, principalmente considerando-se as frutas silvestres com grande potencial nutricional e de mercado, somam-se aos produtos mais procurados da Caatinga. A vegetação da Caatinga é ainda uma das principais fontes energéticas na região semi-árida, oferecendo alternativa para o uso doméstico e para a formação de renda na propriedade. A lenta regeneração e baixas taxas de crescimento, no entanto, quando aliadas a um esforço de exploração superior ao limite de sustentabilidade, podem ocasionar o desaparecimento de espécies do ecossistema, sendo assim, imprescindível a adoção de técnicas de manejo florestal e de sistemas agroflorestais para que isso não ocorra juntamente à preservação da biodiversidade em áreas especialmente protegidas.

É importante se perceber que as Caatingas não são ecossistemas mais pobres, ou de terceira categoria, porque se estabelecem em condições de semi-aridez. A Caatinga não é uma mata que não deu certo, degradada devido a desequilíbrios ambientais ou intervenções humanas. É apenas o ecossistema cuidadosamente adaptado às condições de baixas e irregulares precipitações e elevada evapo-transpiração. Diferente dos outros ecossistemas florestais mais úmidos.

Diante do exposto, é que temos a certeza sobre: A CAATINGA que pode parecer morte é VIDA. E como VIDA contribui muito para o MEIO AMBIENTE.

Por: Robson Mororó – Engenheiro Agrônomo

 

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