Nova certidão de óbito para Odijas

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Nova certidão de óbito para Odijas

“Desde que saí da prisão, eu passei uns 20 anos sem falar sobre Odijas. Começava a chorar. Ainda é difícil. Mas hoje é um dia importante para falar sobre ele”, iniciou Maria Ivone Loureiro Ribeiro, viúva do líder estudantil Odijas de Carvalho – barbaramente torturado e morto por agentes da ditadura militar. A data especial repara uma mentira registrada na certidão de óbito do então jovem estudante. Em vez de constar morte por “embolia pulmonar”, portanto causa natural, o documento denuncia “homicídio por lesões corporais múltiplas decorrentes de atos de tortura”. A retificação foi movida na justiça pela Comissão Estadual da Verdade.

Na clandestinidade, o estudante da Universidade Federal Rural de Pernambuco Odijas foi preso na praia de Maria Farinha, em Paulista, no dia 30 de janeiro de 1971. Através de várias denúncias de pessoas que viram o crime acontecer, 12 nomes estariam envolvidos na morte de Odijas, que sofreu com sessões seguidas de tortura até ser levado às pressas ao Hospital da Polícia Militar de Pernambuco. A certidão “falsa” foi assinada pelo médico Ednaldo Paes de Vasconcelos.

“Ele era uma fortaleza, mas um jovem de 25 anos apenas. Era um ser humano muito terno, de muitos amigos. Tinha uma música que gostava muito, o Rio que passou em minha vida, de Paulinho da Viola”, contou Ivone, emocionada.

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