Audiência Pública discute cenário de incertezas sobre o Carnaval 2022

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Como realizar um Carnaval democrático sem colocar a população em risco foi a pergunta que permeou a audiência pública realizada pela Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa, nesta quinta. Os participantes demonstraram preocupação com a liberação de festas privadas para até sete mil e quinhentas pessoas, como permitido pelo atual decreto do Governo do Estado, enquanto toda a cadeia popular do Carnaval enfrenta dificuldades para sobreviver e pode ficar mais um ano sem festa.

Essa situação, se mantida, pode significar um apartheid, na avaliação da codeputada Carol Vergolino, representante do mandato coletivo Juntas, do PSOL, que propôs o debate, já que apenas quem pode pagar ingresso teria acesso à diversão.  “Nós precisamos fazer o nosso Carnaval igual, para que todo mundo tenha direito de pular o Carnaval, porque hoje, a gente tem um decreto valendo de festas de até sete mil e quinhentas pessoas. A gente não pode deixar que sete mil e quinhentas pessoas possam pagar por um Carnaval, e quem não possa pagar  por um Carnaval não possa ir.”

A criação de uma comissão permanente para a festa, que inclua especialistas em saúde e governos, mas também os brincantes, foi a proposta de Fabiano Santos, da União dos Afoxés de Pernambuco. Na mesma linha, a deputada Teresa Leitão, do PT, pediu que o Poder Executivo escute a sociedade, principalmente a cadeia produtiva popular do Carnaval, antes de tomar a decisão sobre a realização da festa em 2022.

Representantes do Governo do Estado reafirmaram que a decisão ainda não está tomada, e vai depender, principalmente, do cenário epidemiológico. O secretário estadual de Cultura, Gilberto Freyre Neto, justificou a indefinição:  “O cenário epidemiológico, apesar de muito positivo, ainda nos coloca em uma condição de muita preocupação. Então, a gente tem acompanhado todos os debates em que a ciência faz parte da equação. Mas há, certamente, ainda, uma grande preocupação sobre a velocidade com que novas cepas podem, utilizando o nosso Carnaval, fragilizarem as nossas políticas de proteção”.

O presidente da Fundarpe, Marcelo Canuto, acredita na possibilidade de um Carnaval diferente, com controle de público e medidas como apresentação de comprovante de vacina. Já para a médica Fátima Militão, da Fundação Oswaldo Cruz, não existem medidas capazes de garantir um Carnaval seguro. Os números em queda dão uma ideia de segurança que é falsa, na avaliação da especialista.

Ela defendeu a adoção do princípio da precaução diante do cenário de incertezas quanto ao surgimento e propagação de novas variantes em grandes aglomerações, o que inclui as festas privadas que atualmente acontecem. “Nós não temos condições de apostar em riscos potenciais. Em dizer que nós vamos colocar 7.500 pessoas dentro de um ambiente fechado e as pessoas vão estar protegidas. Mesmo em blocos pequenos, essa pessoa que se contaminou volta pra casa, volta a falar com idosos, transmite para outras pessoas.”

Presidente do Galo da Madrugada, Rômulo Menezes defendeu a realização do evento. Argumentou que um grande número de pessoas já circula por praias, transporte público e escolas, e que a nova variante ômicron não tem causado casos graves de Covid.

Já a representante dos ambulantes, Luciana Mendonça, argumentou que, caso a decisão seja pelo cancelamento, é preciso definir como vai ser o socorro a todos os envolvidos, desde artistas e agremiações, até costureiras, catadores de recicláveis e informais. “Qual tipo de política vai chegar nos nossos trabalhadores que exercem no Carnaval? Nós temos uma grande massa que trabalha o Carnaval, no Recife Antigo, em vários locais que são cadastrados, mas que esses auxílios não chegaram a esses trabalhadores, inclusive no Carnaval passado”.

A audiência pública teve a participação também dos vereadores do Recife Marco Aurélio Filho, Ivan Moraes e Dani Portela. Na Câmara do Recife, uma comissão tem discutido possíveis modelos para a festa, incluindo uma proposta de adiamento do evento. A Secretaria estadual de Saúde não enviou representantes, ausência criticada pelos debatedores, já que não houve esclarecimentos sobre quais indicadores seriam considerados seguros pelo Poder Público.

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