Massacre na selva urbana: Murilo Cavalcanti sobre segurança no Brasil

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Murilo Cavalcanti uma das maiores, se não a maior, autoridade do país em se tratando de Segurança Urbana, também conhecedor profundo do programa que devolveu aos cidadãos colombianos a tranqüilidade. Murilo Cavalcanti é hoje Secretário Municipal de Segurança Urbana da Cidade do Recife, o cabroboense está sempre sendo procurado para falar de uma área em que ele, como poucos nesse país e America latina tem conhecimento.  No Jornal o Globo, edição desta terça feira, uma matéria especial com Murilo Cavalcanti.

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A segurança pública no Brasil se movimenta por espasmos. Empurrada pela repercussão deste ou daquele crime hediondo. Não é aceitável que um país com mais de 50 mil homicídios por ano não tenha um Plano Nacional de Enfrentamento à Violência. Um fio condutor de uma política nacional que aponte caminhos, fortaleça as boas práticas e estabeleça foco nas regiões mais críticas.

Essa omissão das autoridades federais contribuiu para que, entre 1980 e 2010, o Brasil atingisse a marca de um milhão de mortos por assassinato. Um rastro de dor, perda e frustração principalmente para as famílias moradoras da periferia das grandes cidades do país.

Combates com armas de guerra no meio da rua, ações de terrorismo, corrupção e violência extrema não causam mais espanto. São expoentes de um jogo de faz de conta em que o governo federal não se pronuncia e o crime organizado se fortalece.

O Brasil resolveu salvar a natureza. Dá mais charme e distinção. E os humanos sendo massacrados na selva urbana.

Nos anos 80, o quadro de insegurança vivido por nossos vizinhos colombianos era ainda mais desesperador. Além do narcotráfico, eles conviviam com uma guerra civil cotidiana. Impulsionados pelo dinheiro da cocaína, os chefões dos cartéis estabeleceram também um projeto de poder político. Seis candidatos à Presidência da República, um ministro da Justiça e vários procuradores foram fuzilados em plena praça pública. A corrupção já fazia parte do tecido social do Estado. O país estava verdadeiramente no inferno.

Estava. A Colômbia reagiu e megatraficantes como Pablo Escobar hoje fazem parte apenas da História. A fórmula? Em primeiro lugar descartar o populismo. Em seguida, fortalecer as ações dos estados e dos municípios dispostos a enfrentar o problema.

No Brasil, Pernambuco desponta como único estado do país a registrar sete anos seguidos de redução na violência. Esse resultado é fruto do Pacto pela Vida, comandado pessoalmente pelo governador Eduardo Campos. A taxa de homicídios de Pernambuco caiu de 56 por 100 mil habitantes em 2006 para 34 por 100 mil habitantes em 2013. Um recuo de 40% no índice.

O Brasil não aguenta mais tanta dor e sofrimento. Este ano, com as eleições presidenciais, é uma boa oportunidade para se discutir uma política nacional de segurança pública com objetivos e metas definidas e sem romantismos. Bem ou mal, o país tem um sistema de financiamento para educação e saúde. Não faz sentido não ter um para área de segurança.

Se o Brasil quer ser um país socialmente justo, e ter uma economia competitiva, enfrentar a questão da violência urbana precisa ser prioridade de qualquer governo. A vida agradece.

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