O evento vai contar com um curso prático sobre o uso e a conservação das tecnologias sociais, além de refletir sobre segurança hídrica.
O semiárido brasileiro possui cerca de 26 milhões de habitantes, sendo dez milhões habitantes de zonas rurais. Um dos maiores desafios das pessoas do campo é conviver com a escassez da água. Com o fim do período de chuvas, a preocupação com a água para beber e para o plantio da agricultura familiar deixam os (as) agricultores (as) apreensivos (as). A ausência de rios perenes torna o semiárido o bioma com o menor percentual de água reservada no país, próximo de 3%.
Tendo em vista isso, a Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) realizou a instalação de tecnologias sociais em diversas comunidades rurais do Nordeste. Foram 571 instrumentos de garantia de segurança hídrica, como cisternas de placas, barreiros, trincheiras, tanques em lajedo de pedra e reservatórios elevados. Mais da metade dessas tecnologias, especificamente 389, foram implementadas em Pernambuco, através do Programa Echosocial Ventos que Transformam, da Echoenergia.
Na próxima semana, nos dias 22, 23 e 24 de agosto, a Adel realizará a oficina prática “Tecnologias sociais para a Convivência Sustentável com o Semiárido” com os estudantes e professores da Escola Municipal Manoel Alves de Araújo em Grotão, no município Venturosa/PE. Além da oficina, haverá um evento de entrega das tecnologias sociais implementadas. O encontro tem por objetivo celebrar e refletir com as comunidades a importância e os cuidados necessários para uso e preservação das tecnologias sociais de Segurança Hídrica.
Iraneide Tavares, da comunidade pernambucana Quitonga, foi uma das beneficiadas. Em novembro de 2021 recebeu uma cisterna na qual reserva água das chuvas e utiliza para o consumo da família. “Se não fosse a cisterna, a gente teria que comprar água para beber. Agora, com a cisterna, a gente fica menos preocupada de faltar água e consegue comprar mais comida”.
O diretor de novos negócios da Adel, Wagner Gomes, explica como as tecnologias influenciam na vida das pessoas do campo. “As famílias que antes passavam por grandes dificuldades, como ter que andar grandes distâncias para ter acesso aos recursos hídricos, hoje desfrutam dos benefícios de ter água próximo às suas casas, para consumo, produção de alimentos e criação de animais”.
Além da tecnologia de captação e reserva de água, foram instalados dispositivos aqualuz para torná-la potável. Essa tecnologia utiliza a luz solar para retirar as impurezas da água, tornando-a boa para consumo humano. Luiz da Silva, agricultor na comunidade de Mulungu, em Pernambuco, foi um dos que recebeu o aqualuz e passou a consumir a água reservada da sua cisterna. Além desse uso, a água reservada também tem servido para irrigar o plantio de alimentos.
O uso dessas tecnologias socioambientais tem um foco estratégico na agricultura familiar por provocar a melhora na segurança alimentar através da garantia de água para a produção de alimentos. Alternativas como essa auxiliam a transformar a realidade do semiárido garantindo o acesso à água o ano todo e melhorando a qualidade de vida das famílias.
Sobre a Adel – A Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) é uma organização sem fins lucrativos, que nasceu no Ceará, mas que atua em todo o Brasil. Ela tem como missão promover o desenvolvimento local de comunidades rurais no Sertão do Nordeste brasileiro por meio do empreendedorismo e do protagonismo social de jovens e agricultores rurais.
Mandalla Comunicação – Assessoria de Imprensa
