Muita gente tem dúvidas se é possível fazer investimentos no exterior mesmo morando no Brasil. A verdade é que de uns tempos para cá, ficou mais fácil se expor a ativos internacionais.
Embora exijam um certo grau de estudo e até mesmo uma análise mais aprofundada, atualmente, não é mais necessário ter que abrir uma conta em uma corretora fora do país para investir no exterior, apesar desta ainda ser uma alternativa viável.
Neste artigo vamos explicar um pouco mais a fundo sobre quais são os tipos de investimentos no exterior podem ser feitos mesmo morando no Brasil.
Tipos de investimentos no exterior
Quem mora no Brasil pode investir no exterior sem necessariamente morar fora do país, sendo que dentre as opções disponíveis no mercado estão:
- Exchange Traded Funds (ETFs);
- Brazilian Depositary Receipts (BDRs);
- Real Estate Investment Trust (Reit);
- Stocks.
Exchange Traded Funds (ETFs)
Uma das possibilidades mais simples de se investir no exterior é por meio das Exchange Traded Funds (ETFs) que também são conhecidas como fundos de índice.
Nesse caso, o gestor do fundo se baseia nos índices das bolsas de valores para fazer a composição e o rebalanceamento do fundo. Os investidores no Brasil adquirem, nesse caso, cotas de ETFs.
Cada fração adquirida possui uma grande diversidade de ações. Por exemplo, um ETF que replica o índice S&P 500, possui ações das 500 maiores empresas norte-americanas, e são elas que ele terá na sua carteira.
Existem diversas alternativas de ETFs negociados na B3, sendo que as mais conhecidas são a IVVB11, BOVA11, BOVV11, HASH11, dentre outras opções.
Brazilian Depositary Receipts (BDRs)
Para quem deseja se expor diretamente a uma ação no exterior, uma boa alternativa são os BDRs. Eles nada mais são do que um certificado negociado na B3 que equivale aos papéis emitidos por empresas do exterior.
Por exemplo, há na B3 um BDR que é um certificado que equivale a uma ação da Amazon. Nesse caso, ao adquirir esse BDR você não está adquirindo a ação da Amazon em si, mas sim um certificado que tem o lastro nessa ação lá nos Estados Unidos.
Embora os ativos sejam negociados em reais, a sua variação segue exatamente a oscilação da ação na bolsa americana. Por isso, além da valorização e desvalorização da ação também há a interferência do câmbio em sua cotação.
No Brasil existem vários BDRs que são negociados como Amazon, Netflix, Apple, Microsoft, Facebook, Google, e diversas outras gigantes multinacionais.
Real Estate Investment Trust (Reit)
Um dos investimentos que se tornou bastante popular no Brasil foi o fundo de investimentos imobiliários (FII). O Reit é um tanto quanto parecido, com a diferença de que os imóveis são localizados nos Estados Unidos, e não no Brasil.
Além disso, os Reits são empresas de investimentos e não fundos, e a distribuição de lucros por acionistas é de 90% ao passo que os fundos de investimento imobiliário são de 95%.
Outro ponto que é preciso considerar é que os Reits precisam respeitar todas as normas de tributação dos Estados Unidos. Vale dizer que além dos fundos de investimentos negociados na B3, dá para abrir uma conta em uma corretora no exterior e investir diretamente no produto.
Stocks
Uma outra maneira de investir no exterior é através de stocks que é um termo usado para se referir a negociação de ações nas bolsas de valores norte-americanas.
A própria palavra stocks significa ações. Portanto, para investir dessa forma é necessário que os investidores brasileiros abram uma conta em uma corretora internacional.
Essa é uma opção de investimentos mais atrativa para quem possui um capital mais elevado e um conhecimento mais apurado do mercado de ações. Até porque, nos Estados Unidos estão as maiores e mais sólidas empresas do mundo.
E, além disso, é possível diversificar em mais de 8 mil empresas que estão listadas na Bolsa americana. Vale destacar, porém, que apesar de existirem plataformas focadas em brasileiros que queiram investir dessa forma, ter conhecimento em inglês é fundamental.
Até porque, para fazer a análise fundamentalista da ação é preciso ler os balanços dessas empresas que são divulgados em inglês e não são traduzidos em sua grande maioria por essas corretoras.
Quais são as vantagens de fazer investimentos no exterior?
Uma das principais vantagens de se investir no exterior é poder proteger o capital dos possíveis problemas macroeconômicos enfrentados pelo Brasil como a inflação, desvalorização do câmbio etc.
Além disso, é uma maneira de investir em um dos países mais estáveis econômica e politicamente do mundo como os Estados Unidos. Isso ajuda a proteger a sua carteira, uma vez que as empresas sediadas nesses países tendem a ter mais solidez.
Para investidores que possuem o foco no longo prazo, essa pode ser inclusive uma das melhores formas de investimentos, ainda mais que grandes empresas do setor de tecnologia costumam apresentar expressivo crescimento em um período mais longo.
O que levar em consideração antes de investir?
Embora investir no exterior seja uma boa alternativa, é preciso levar em consideração diversos fatores como o conhecimento do mercado internacional.
Além disso, é preciso entender um pouco de macroeconomia e geopolítica para entender algumas projeções, como a possibilidade do câmbio cair ou subir, e até mesmo os setores que estarão em alta nos próximos anos.
Contudo, ao contar com uma boa gestora de investimentos, assim como fazer uma boa diversificação da carteira dá para minimizar o risco e obter bons ganhos de longo prazo investindo fora do Brasil.
Conclusão
Conclui-se com esse artigo que atualmente ficou mais acessível para os investidores poderem se expor a ativos negociados nas bolsas de outros países, principalmente nos Estados Unidos.
Isso pode ser feito de modo direto, abrindo uma conta em uma corretora de valores fora do Brasil, ou até mesmo por meio de BDR´s, ETF´s e outros fundos de investimentos que replicam o desempenho desses ativos e são negociados na B3.
No entanto, apesar da opção escolhida, é preciso levar em consideração que a cotação de qualquer uma delas não sofre só a interferência das ações no exterior como também a valorização e desvalorização do câmbio, exigindo um maior conhecimento por parte do investidor.
