Natural de Santa Maria da Boa Vista, Jaildo Marinho vai inaugurar escultura de mais de duas toneladas no Pão de Açúcar

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Obra ‘Jangada’ foi encomendada pelo TCU para evento com instituições superiores decontrole.

Por: Mônica Bergamo – Folha de São Paulo

Uma escultura de mais de duas toneladas feita pelo artista pernambucano Jaildo Marinho será exposta nesta terça-feira (8) na entrada do bondinho do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro Intitulada “Jangada”, a obra foi encomendada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por ocasião do Congresso Internacional das Instituições Superiores de Controle, que neste ano será presidido pela corte brasileira.

MARESIA – Feita em mármore, ela traz elementos que remetem à cultura do país, desde as cores da bandeira nacional ao uso de madeira pequi. “O objetivo é representar ao máximo o Brasil”, afirma Marinho.

MARESIA 2 – Ele diz ter se inspirado em povos indígenas e na história de jangadeiros cearenses que fizeram uso da embarcação para reivindicar direitos trabalhistas sob o governo de Getúlio Vargas. “Jangada” foi feita em forma geométrica, marca do trabalho do escultor contemporâneo.

CORRENTEZA – Exposta pela primeira vez após a realização das eleições, a obra traz um desejo para o país, diz o artista. “Tem aquela frase popular que diz ‘vamos tocar o barco para frente que vai dar certo’. Agora é momento de tocar o barco para frente e deixar a cultura flutuar pelos nossos mares”, diz Jaildo Marinho. Foram necessários três meses para que a escultura fosse concluída.

CORRENTEZA 2 – Radicado na França há 30 anos, o escultor contemporâneo participará da cerimônia de abertura do evento na capital fluminense. Após o congresso internacional, “Jangada” será levada de caminhão a Brasília e ficará exposta nasede do TCU.

BIOGRAFIA

Jaildo Marinho nasceu a 26 de Outubro de 1970 em Santa Maria da Boa Vista, uma pequena cidade no estado de Pernambuco, no nordeste do Brasil. Os seus primeiros dotes artísticos levaram-no muito cedo a trabalhar num Centro de Estudos de Gemas e Minerais de 1982 a 1986, dirigido pelo governo de Pernambuco. Aos 16 anos de idade, seguiu o curso de escultor João Batista Queiroz na Universidade Federal de Pernambuco durante três anos, onde aprendeu fundição e várias técnicas de entalhe e modelação.

Em 1993, Jaildo Marinho fez a viagem a Paris onde decidiu viver (adquiriu a nacionalidade francesa em 2009). Torna-se professor no ADAC – Atelier de sculpture et de fonderie d’Art de la Ville de Paris. Estes primeiros anos em Paris foram marcados por encontros decisivos com artistas de origem sul-americana, que viviam na capital francesa desde os anos 50, tais como Jesús Rafael Soto, Carmelo Arden Quin, Narciso Debourg e Cícero Dias.

A partir de 1996, Jaildo Marinho participou em vários espectáculos parisienses, tais como Grands et Jeunes d’Aujourd’hui e o Salon des Réalités Nouvelles, e apreciou a sua primeira exposição pessoal no Claude Dorval’s. Este último está próximo do movimento Madi em 2003 ao qual o artista se junta, um membro que o levará a envolver-se activamente na criação do “Museu MADI” na cidade de Sobral, no Brasil, em 2004.

Desde meados da década de 1990, Jaildo Marinho goza de um reconhecimento significativo em França e no estrangeiro. Ganhou a medalha de ouro no Festival de Mahares na Tunísia em 1995 e o Prémio de Escultura da Bienal de Malta em 1999. As principais exposições incluem “Derrière les Tableaux” em 2004, um colorido projecto de enquadramento das janelas da fachada da Biblioteca Histórica da Cidade de Paris. Em 2005, participou numa exposição colectiva no Palais de La Porte Dorée com uma grande instalação chamada “Portes”, prolongada no ano seguinte no Palais Omnisports de Paris Bercy. Em 2012, “Le Vide Oblique” é realizada na Maison de l’Amérique Latine, uma exposição na qual Jaildo Marinho apresenta esculturas monumentais em mármore. No Brasil, após a sua primeira exposição individual realizada no Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco em 2002, terá a sua primeira retrospectiva na Pinakotheke Cultural no Rio de Janeiro em 2012. Em 2017, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro dedicará a exposição « Cristalizaçao ».

Em França, depois de ter sido exibido desde 2009 na Galerie Nery Marino e depois em Meyer Zafra, Jaildo Marinho é agora representado pela Galerie Denise René.

Desde os anos 2000, Jaildo Marinho tem participado regularmente em exposições colectivas e feiras internacionais no Brasil, em cidades da Europa, da Ásia, dos Estados Unidos e da América Latina.

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