Dilma age contra resistência do agronegócio à reeleição

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A presidente Dilma Rousseff dá nesta semana sua última cartada a fim de tentar atrair o agronegócio para sua campanha à reeleição e evitar que o setor feche por completo seu apoio ao pré-candidato do PSDB ao Planalto, senador Aécio Neves, e, em menor grau, ao pré-candidato do PSB, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos.

O primeiro passo será dado hoje, com o lançamento do Plano Safra 2014/15, que deve receber um aumento em relação ao orçamento de R$ 136 bilhões destinado ao financiamento do ciclo anterior. O passo seguinte, e talvez o mais importante, será um encontro de Dilma com lideranças do agronegócio ensaiado para ocorrer nos próximos dias no Palácio do Planalto.

A reaproximação de Dilma com o agronegócio está sendo conduzida com apoio da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), atual presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A ideia é romper a resistência do setor, com quem Dilma manteve boa relação em 2010, quando foi eleita.Kátia Abreu evita falar em crise entre a petista e os líderes ruralistas. “É bobagem querer fazer essa divisão de quem apoia ou não a presidente. Não existe uma classe desse tamanho unânime.”

Pelo diagnóstico do Planalto, pecuaristas, produtores de cana-de-açúcar e parte do segmento da soja estão próximos da oposição. Mas ainda há quem possa estar com o governo, caso dos grandes produtores de soja.

Pecuaristas – Entre os pecuaristas, o descontentamento é maior. O presidente da Associação Brasileira dos Criados de Zebu (ABCZ), Luiz Carlos Paranhos, será o porta-voz do setor na reunião com Dilma. A entidade, uma das principais representantes dos criadores de gado, avalia que o governo deixou de fortalecer o Ministério da Agricultura, colocou em risco a segurança fundiária em zonas de conflito com reserva indígenas e quilombolas no Mato Grosso do Sul e no Sul da Bahia, respectivamente, além de não ter reconhecido a importância do agronegócio para o Produto Interno Bruto (PIB) e na pauta de exportações. Dilma foi vaiada no evento anual da entidade realizado no início do mês em Uberaba.

“Temos de reconhecer que o governo fez coisas boas, como o crédito para máquinas agrícolas e o financiamento para a lavoura políticas que têm de ser mantidas. Mas existe ainda um certo preconceito com as empresas do agronegócio (no Planalto). Falta o reconhecimento pelo governo da importância do setor e a garantia da segurança da propriedade privada, que é uma coisa básica para novos investimentos”, diz.

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