Dando uma rápida olhada pelo retrovisor da política pernambucana e observando as negociações para vencer um pleito, cargos dos governos foram moedas de troca desde a eleição de Miguel Arraes em 1986 até a reeleição de Paulo Câmara em 2018. O ciclo vicioso foi quebrado na eleição de novembro deste ano, quando os pernambucanos resolveram eleger duas mulheres com absoluta independência para governar o Estado.
Pois bem: Em 1986 o então deputado Miguel Arraes e recém-chegado ao Brasil do asilo político na Argélia, resolveu entrar na disputa pelo governo e levou para os quatro cantos de Pernambuco a mensagem de que a esperança estava de volta. Antes da mensagem Miguel Arraes trabalhou a montagem de apoios, precisou de Carlos Wilson, do usineiro Antônio Farias e de parte do grupo Coelho liderado por Fernando Bezerra.
No terceiro mandato de Miguel não foi diferente, em 1994 lá estava Arraes de novo na mesa de negociações. A lição foi seguida por Jarbas e em 1998 com ajuda do PFL de Marco Maciel derrotou o próprio Miguel Arraes que tentava a reeleição, Jarbas foi reeleito em 2002 e fez dois governos sustentando oposição ao PT de Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, todos eles tiveram divisão de cargos conforme acertos de campanhas.
Começa a era PSB com Eduardo Campos em 2006, logo no primeiro mandato Campos acomoda Humberto Costa numa secretaria e contempla o PTB de Armando Monteiro. Para garantir a reeleição em 2010 o então governador Eduardo Campos foi hábil, com um governo bem avaliado e duas vagas no senado em jogo, Campos resolveu premiar dois aliados e com isso garantiu apoios de um gigantesco bloco de partidos aliados.
A primeira eleição de Paulo Câmara em 2014, talvez tenha sido a de maior custo em termos de distribuição de cargos. Muitos partidos na base de aliados, muitos candidatos a vagas de secretários. Tanto que a inevitável ruptura aconteceu, Câmara foi para a reeleição em 2018 tendo que negociar com o PT de Humberto e o PCdoB de Luciana Santos. Mais uma vez as negociações deram certo, o governo foi montado conforme interesses partidários.
Aí vem Raquel e é candidata pra fazer a diferença até no jeito de escolher aliados, enquanto adversários negociavam vagas de vice e senado, a jovem Raquel fazia do jeito certo. Sendo do Agreste escolheu para vice outra mulher, só que esta sendo da capital e filha de ex-governador. Para o senado veio ao sertão e em plena festa das Lajes em Serrita, olhou para Guilherme Coelho e o convocou para compor a chapa majoritária.
Agora vem a fase de escolha de seus futuros secretários e diferentemente de todos seus antecessores, Raquel não tem nenhum compromisso com negociações de campanha. A futura governadora tem tempo e independência para fazer as escolhas, pela primeira vez na história politica de Pernambuco os cargos de secretários não serão objetos de negociações. As Damas de Pernambuco, vão governar apenas conforme vontade do povo.

Que assim seja, mas duvido muito que essa seja a realidade. Creio que seja apenas mais um meio de comunicação já sendo arrematado no mercado.