PF prende secretário de Meio Ambiente de Serrita acusado de crimes ambientais

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O secretário de Meio Ambiente de Serrita, no Sertão pernambucano, foi preso na última quarta-feira (28) sob suspeita de crimes ambientais. O engenheiro civil Antônio da Cruz Sampaio, de 61 anos, é acusado de quatro crimes ligados à prática de garimpo ilegal e beneficiamento de ouro em uma olaria de sua posse. Em depoimento, o secretário confessou que vendia o grama do ouro por R$ 55 ou 60 a lojas de jóias e pessoas físicas.

Após investigações prévias em parceria com o Ibama, a Polícia Federal se dirigiu à olaria de Antônio da Cruz. Chegando lá, diversas máquinas, substâncias e equipamentos que são utilizadas para extração de ouro foram encontrados, tais como moinho, britador, motores à diesel, centrífuga, bomba d’água, cilindro de oxigênio, maçarico, mangueiras e mercúrio.

Segundo o Ibama, o funcionamento desse tipo de garimpo provoca sérios danos ambientais, como por exemplo os animais (cachorros, bodes e carneiros) que ali estavam bebiam água de um tanque de decantação que estava contaminado pelo mercúrio. Além disso, caso houvesse um transbordamento dos reservatórios, os lençóis freáticos de água poderiam ser seriamente afetados.

Sobre a regularidade do garimpo, Antônio da Cruz disse ter dado entrada em toda documentação, mas que ainda não recebeu a autorização do Ibama, DNPM ou CPRH para funcionar. Os garimpeiros também não possuíam licença para trabalhar.

O funcionamento do garimpo era da seguinte maneira: os garimpeiros retiram pedras da região, que eram quebradas e em pedaços menores, eram levadas para seu moinho a fim de serem processadas (moídas) para a extração de ouro. O minério ficava retido em placas metálicas e queimadas com o auxílio de um maçarico.

Em depoimento, Antônio da Cruz revelou que o promotor de Justiça de Serrita havia solicitado uma pesquisa sobre os níveis de poluição produzidos pela olaria, só que não conseguiu entregar o documento a tempo e por isso, teve que fechar o empreendimento. Apesar da proibição, o garimpo estava funcionando há aproximadamente dois anos. Para fazer funcionar o negócio, ele paga uma diária de R$ 30 para as pessoas que trabalhavam na extração do ouro.

Antônio da Cruz foi autuado em flagrante pelos crimes de garimpagem sem autorização legal, utilização de substância tóxica (mercúrio), extração de recursos minerais sem autorização, funcionamento de serviços potencialmente poluidores. Por todas essas acusações, ele pode pegar mais de 6 anos de prisão. Além disso, o Ibama arbitrou uma multa de R$ 200 mil. O suspeito foi conduzido ao Presídio de Salgueiro, onde está à disposição da justiça.

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