Em diferentes níveis, a chamada “bolsonarização” de Lula tem assustado aliados do presidente, que torcem por mudança de postura do petista
Por Paulo Cappelli/Metrópoles
Em diferentes níveis, a chamada “bolsonarização” de Lula tem assustado aliados do presidente. O termo, que já circula por Brasília, refere-se à profusão de declarações polêmicas capazes de gerar crises evitáveis. Tal como fez Bolsonaro.
Entre aliados do Centrão, Lula já é taxado como “vingativo” e “fora da casinha”. A percepção dessa parte do Congresso é que o presidente está longe do tom conciliador que marcou seus dois mandatos anteriores. Isso, dizem, prejudica a governabilidade e dá lenha à oposição.
Já petistas buscam ser mais compreensíveis com o colega de partido. Atribuem a postura a Sergio Moro. Justificam os arroubos de imprudência ao período do cárcere e dizem que qualquer um, passasse o que Lula passou, amargaria sequelas emocionais. Sob reserva, contudo, reconhecem que o presidente precisa mudar.
A caminho de seu quarto mês de governo, Lula guarda semelhanças com Bolsonaro no quesito verborragia. E isso pode custar caro.
Aliados do ex-presidente lamentam até hoje por Bolsonaro não ter controlado a língua durante a pandemia. O próprio núcleo do ex-mandatário acredita que a pandemia foi crucial para que ele perdesse a eleição. Não pelo que o governo Bolsonaro fez durante o auge da Covid-19, mas pelo que o então chefe do Executivo falou.
