“A Copa do Mundo é nossa”. No dia em que o Brasil seria goleado pela Alemanha na sua maior derrota em 100 anos de história era com essa mensagem que José Maria Marin, presidente da CBF, abria o guia da seleção brasileira distribuído para a imprensa estrangeira no Mineirão em Belo Horizonte.
Num texto otimista ao extremo, Marin falava da correção histórica que o Brasil faria ao ganhar o seu primeiro Mundial como país sede. Esqueceram de avisar os alemães.
José Maria Marin, que antes da Copa do Mundo disse mais de uma vez que o torneio levaria a CBF ao céu ou ao inferno, tem evitado as brasas do contato direto com seus críticos.
Político e muito mais afeito aos porta-retratos do que seu antecessor Ricardo Teixeira, Marin tem sua gestão marcada pela proximidade com a imprensa. Até o 8 de julho de 2014, ele não negava entrevistas. A confiança no título era enorme.
Agora é bem diferente. Depois de deixar Luiz Felipe Scolari apanhar sozinho nas críticas pelos erros que levaram a seleção a levar sete gols numa semifinal de Copa do Mundo, o sempre solícito presidente da CBF curte seu inferno calado.
Ele é esperado na Granja Comary nesta quinta-feira, mas não há perspectiva de qualquer declaração do mandatário.
Antes da estreia, depois de chegar de helicóptero à Granja Comary, Marin fez questão de ir até os jornalistas para dá-los as boas vindas ao complexo em que a CBF investiu R$ 15 milhões antes da Copa.
“Se precisarem de qualquer coisa, é só falar comigo”. O que não só os jornalistas mas toda torcida da seleção gostaria de ouvir eram explicações de um dos responsáveis pelo “Minerazo”.
Marin deixou as tribunas do estádio antes de Oscar marcar o gol de honra nos acréscimos do jogo. Foi aos vestiários para conversar com os jogadores. “Quando terminou o jogo de ontem, lá estava o presidente para falar com jogadores, se posicionar.
Comunicou a confiança em todo esse grupo. Principalmente nos jogadores. Não precisamos que ele esteja aqui (na Granja)”, disse Felipão no dia seguinte ao vexame, justificando o silêncio de Marin.
