Em 1978 Pernambuco viveu a histórica eleição do senador Nilo Coelho, segundo colocado na soma final dos votos, o sertanejo de Petrolina foi eleito senador graças às manobras que era possível na época, somar os votos de dois concorrentes desde que fossem da mesma sigla. Naquela eleição o mais votado foi Jarbas Vasconcelos do então MDB, em seguida Nilo Coelho da ARENA 1 e logo em seguida, Cid Sampaio, da ARENA 2. A soma dos votos era possível desde que os dois candidatos concordassem. Com a soma dos votos de Nilo Coelho e Cid Sampaio, Nilo foi considerado eleito e Cid, ficou com a primeira suplência, fato que lhe possibilitou assumir a cadeira com a morte de Nilo Coelho.
Nilo Coelho não foi apenas um brilhante senador da república, foi bem mais que isso, um líder corajoso para a época que chegou a presidência do Congresso Nacional, enfrentou a própria ditadura e contribuiu significativamente para a abertura da democracia brasileira. Nilo Coelho não teve medo de subir a tribuna do Congresso e proferir um discurso quase interminável, devido os aplausos constantes dos que percebiam que ali, começava a nova república. Nesse discurso Nilo Coelho dizia em bom tom e em alta voz, como um bravo sertanejo, “não sou presidente do congresso do PDS, sou presidente do congresso do Brasil”. No dia seguinte o sertanejo presidente do congresso nacional, dizia algo mais que o país precisava ouvir, “não me arrependo do que fiz me arrependo do que não fiz”.
36 anos depois o estado de Pernambuco elege outro membro da família para ser senador da república, Fernando Bezerra Coelho, já mostrou que semelhantemente ao tio, não tem medo de enfrentar os poderosos quando se trata de defender seu estado. Logo que assumiu a pasta do ministério da integração nacional, viu o poder se juntar para tentar lhe derrubar, no entanto, não teve nenhum constrangimento em dizer quando foi ouvido pelos senadores em audiência, “querem me punir porque ajudei as vitimas das enchentes”. “Não estão tentando contra o ministro e sim, contra o estado de Pernambuco, não vou aceitar esse tipo de comportamento.” A atitude de Fernando Bezerra Coelho em defesa de Pernambuco lhe rendeu o reconhecimento de seus conterrâneos pelos os quatro cantos do estado, sendo eleito senador da república para assumir a cadeira que um dia foi do seu tio Nilo Coelho e, por ironia do destino, Fernando assume a vaga em lugar de Jarbas Vasconcelos, que venceu as eleições para o senado em 1978.
