Povos do Semiárido se encontram com Dilma e celebram melhorias na qualidade de vida dos últimos 12 anos

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DILMA E O POVO DO SEMIARIDO EM PETROLINA

Imagine uma comunidade que, ao longo de 12 anos, passou a ter acesso à água potável para beber e produzir alimentos (água de comer), recebeu eletricidade, as casas deixaram de ter chão batido e o piso ganhou cerâmica, os homens e mulheres têm acesso a crédito para ampliar a criação de animal e reforçar o plantio de culturas de sequeiro (milho, feijão e mandioca plantados no inverno) e para se deslocar não dependem apenas de um jumento ou cavalo, podem contar com a rapidez de uma moto ou carro. Esta situação é realidade não apenas para uma, mas para milhares de comunidades rurais cravadas no Semiárido brasileiro.

Nesta terça-feira (21), pela manhã, mais de 50 mil pessoas, que vivem em comunidades rurais com essas e outras conquistas, localizadas em todos os estados do Nordeste e mais Minas Gerais, vieram a Juazeiro e Petrolina, no Sertão do São Francisco. Todos manifestaram, através da ocupação pacífica das ruas e praças, a mudança que suas vidas passaram. A multidão também mostrou que não aceita mais retrocessos com relação às políticas públicas direcionadas para a agricultura familiar na região semiárida.

“A partir de Lula, foram tantas conquistas que é difícil falar”. Essa foi a primeira frase dita por seu Felizvaldo Pereira Lima quando questionado sobre as mudanças ocorridas nos últimos 12 anos na comunidade rural onde mora e na sua vida.  Agricultor familiar agroecológico, como fez questão de ressaltar, assentado da reforma agrária e líder sindical, seu Felizvaldo percorreu de ônibus mais de 1.260 km para chegar em Juazeiro, na Bahia. Ele mora e produz na agrovila Recreio, no município de Sobral, no Ceará. A sua viagem foi longa pelo Semiárido adentro até chegar em Juazeiro para participar com alegria do ato público.

Organizada pelos movimentos sociais que lutam pelo fortalecimento da agricultura familiar no Semiárido, a manifestação também levou à Petrolina a candidata Dilma Rousseff, a ministra Tereza Campello, do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, e do ex-ministro Miguel Rossetto, do Ministério de Desenvolvimento Agrário, além do ex-governador da Bahia, Jacques Wagner. À tarde, Dilma e sua comitiva foram para Goiana, na Zona da Mata pernambucana, e para um evento no Recife.

Quando a candidata Dilma subiu ao palco, a multidão se agitou, balançou as bandeiras, gritou seu nome, entrou em êxtase. “É mais do que uma honra, é um imenso orgulho estar aqui. Nós, juntos, estamos mudando a realidade do Semiárido”, disse ela iniciando seu discurso improvisado que interagiu bastante com o público, lendo faixas e um bilhete que dizia assim: “Eu, Enaide Afonso, agradeço ao projeto Ciência Sem Fronteira porque levou minha filha para a Austrália”. O bilhete foi a porta de entrada para Dilma falar de suas ações e programas de promoção à educação. Num cartaz também lido por Dilma estava escrito: “Eu sou o primeiro da família a estudar numa universidade federal.”

Noutro momento, Dilma levou para o palco um painel pintado a mão com a imagem de uma mulher com lata d´água na cabeça com um traço em cima, simbolizando que esta é uma realidade ultrapassada, e ao lado uma casa com cisterna. A imagem fez a agricultora Neci Araújo da Silva chorar. Da comunidade de Fundão de Baixo, no município de Ingá, na Paraíba, ela sabe muito bem o que é carregar lata d´água. Hoje, ela se orgulha das suas duas cisternas. “Uma pequena e uma grandona. Também tive 7 porcos por causa de Dilma. Um de 95 kg, outro de 70, outro de 40, 43 e 33. Tenho mais um para matar. E de um que vendi e com o dinheiro comprei mais três.”

Recado dado – Além das conquistas enumeradas, a fala de Naidison de Baptista, coordenador executivo da ASA Brasil pelo estado da Bahia, reconheceu que ainda há muito a avançar para melhorar a qualidade de vida da população rural do Semiárido: a reforma agrária – “há famílias que não recebem a cisterna de produção de alimentos porque a propriedade não comporta” – a garantia de acesso ao território pelas populações tradicionais, o rio São Francisco revitalizado levando vida às pessoas e a diminuição dos agrotóxicos “que contaminam as nossas vidas.”

Por: Verônica Pragana jornalista da organização e Articulação no Semi Árido (ASA)

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