A morte de Eduardo Campos, que concorria à Presidência da República pelo PSB, teria sido provocada por falhas humanas e inexperiência do piloto. A conclusão está na apuração do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, divulgada nesta sexta-feira (16) pelo jornal “O Estado de São Paulo”.
De acordo com a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, investigações da aeronáutica concluíram que o piloto, Marcos Martins, operou os aparelhos em desacordo com as recomendações do fabricante do avião. E acabou sofrendo uma desorientação espacial, que ocorre quando o piloto perde a referência do avião em relação ao solo. Segundo o relatório em que se baseou o jornal, o piloto cometeu um erro que provocou o desfecho trágico: não fez a rota determinada pelos manuais e pegou um atalho para pousar.
O acidente aconteceu em agosto do ano passado. Depois de uma tentativa frustrada de aterrisagem por causa do mau tempo, o piloto arremeteu e acabou caindo. As sete pessoas que estavam a bordo, entre elas o candidato do PSB à presidência, Eduardo Campos, morreram.
O Estado de S. Paulo diz que o Cenipa não encontrou indício de falha técnica ou de operação do sistema aeronáutico. As turbinas estariam em perfeitas condições. Ainda, de acordo com a reportagem, os investigadores apuraram que Martins não estava treinado para pilotar o Cessna 560. A apuração é contestada pelo presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas. Segundo ele, o piloto tinha muita experiência com o avião.
“Nós consideramos hoje, onde lê-se falha humana, fator humano, nós lemos como fadiga humana como um dos fatores contribuintes”, diz o presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas Adriano Castanho.
O Cenipa é um órgão ligado à Aeronáutica. Em nota, disse que as investigações ainda não foram concluídas, e que só o Relatório Final poderá divulgar a conclusão oficial.
O objetivo da investigação do Cenipa não é apontar ou punir responsáveis. É reunir informações que possam ajudar na prevenção de acidentes. Os inquéritos civil e criminal estão sendo conduzidos em Santos pelo procurador da República Thiago Nobre. Por telefone, ele disse que é prematuro apontar responsáveis porque nem todas as perícias foram concluídas.
A viúva de Eduardo Campos, Renata, disse que só vai se pronunciar após as conclusões oficiais.
Em nota, o irmão dele Antônio Campos afirmou que a conclusão noticiada é prematura e que ainda faltam perícias relevantes.
