Além do impacto no mercado financeiro, a inesperada renúncia da cúpula da Petrobras nesta quarta-feira (4) repercutiu intensamente no meio político. Presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves (MG) afirmou por meio de nota oficial que era “inevitável” a saída de Graça Foster do comando da estatal do petróleo. Já o presidente nacional do PT, Rui Falcão, reconheceu que houve um “desgaste” na gestão de Graça Foster, mas ressaltou que não há nenhuma suspeita de desvio ético da parte dela.
“Eu acho que as mudanças se dão para fortalecer a empresa. Havia muita crítica, havia desgastes e quando isso ocorre… Não há nenhum desvio ético por parte da presidente. Ela não está em questão. Não há nenhuma denúncia contra ela”, ponderou Falcão ao final de uma reunião com a bancada petista na Câmara dos Deputados.
“A queda da presidente [da Petrobras], Graça Foster era inevitável. A presidente da República achou que mantendo Graça à frente da Petrobras ela estaria blindada das irresponsabilidades e dos desvios que ocorreram na companhia. A partir de agora, quero afiançar, estaremos instalando a CPMI no Congresso Nacional para que todos os desvios apontados continuem a ser investigados”, ressaltou Aécio Neves por meio de comunicado divulgado por sua assessoria de imprensa.
Para o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (PSDB-SP), a saída de Foster foi ‘tardia’. Ele também afirmou que ela foi mantida todo esse tempo à frente da estatal para “limpar a barra do governo”.
“A demissão foi tardia, pedíamos desde setembro. A presidente Graça Foster estava lá para limpar a barra do governo. Cumpriu a missão e agora demitiu”, disse.
Segundo o tucano, Graça “não contribuiu com provas” para não comprometer o governo. “A Dilma usou Foster nesses três anos a favor do governo”, acrescentou.
Para Sampaio, a saída dela não terá influência direta para a CPI que a oposição articula para ser criada.
Já o deputado petista Paulo Teixeira (PT-SP) disse que Graça Foster é honesta, mas que a saída dela era um “fato necessário” para para mudar a governança da empresa e devolver a estatal para as páginas de economia dos jornais.
“A Graça renunciou porque é o momento de mudança na gestão da empresa. Toda empresa às vezes requer mudança na sua gestão”, afirmou.
“A Graça era uma pessoa honesta, mas a Petrobras carecia de uma mudança na sua gestão para que ela saia das páginas de política e volte para as páginas de economia dos jornais”, acrescentou.
Reportagem G1.com
