Tumulto, beijos e ironia marcam o julgamento de Beira-Mar

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O traficante Fernandinho Beira-Mar reclamou que a mídia o transformou em algo que ele não é: chefe da mais antiga facção criminosa que atua no tráfico de drogas no Rio e chefão todo poderoso. “Meu nome hoje justifica tudo. Qualquer processo em meu nome dá Ibope. Não me acho estrela, a mídia é que me intitulou assim”, disse.

Durante todo o julgamento, Beira-Mar era acompanhado de perto por gentes federais armados com fuzis e armas de laser. Enquanto ouvia o depoimento de Celsinho da Vila Vintém ou acusação dos promotores ele balançava a perna, tenso. Às vezes balançava o corpo todo. No meio da noite tomou um remédio que estava no bolso de um dos policiais que o acompanharam desde Porto Velho até o Rio.

E escreveu muito. Tanto que chamou atenção do juiz Fábio Uchôa. “Em 30 anos de profissão e a primeira vez que vejo um réu fazer anotações”, disse. Quando não escrevia se virava para conversar com seu advogado de defesa, José Maurício Neville. Ao lado de Neville duas advogadas: Cecília Gomes e Amanda Vanderlei. Uma delas irmã de Fernandinho.

Durante seu depoimento ao juiz, que saiu de sua cadeira para interrogar Beira-Mar, ele admitiu ser traficante: “Sou apenas um matuto, que vendia drogas para todas as facções. Não sou líder de nada e nem pertenço a facção nenhuma”, disse ao juiz Fábio Uchôa, afirmando que é mesmo traficante mas que prefere dizer que sua profissão é de fazendeiro. “Sei que foi com dinheiro ilícito, tanto é que as fazendas foram confiscadas.”

BBjLQmGO traficante disse também que passa o tempo na penitenciária lendo muito sobre direito e que está cursando Teologia. Mostrou-se também bem informado sobre decisões judiciais de alto grau. “Sei que em breve o Estado do Rio não vai poder mais declarar conflito de interesse para pedir a permanência de traficantes em presídios federais, quando o juiz quiser devolver o preso ao Estado”, disse, para estupefação de Uchôa.

Aliás, o juiz merece um parágrafo à parte. Candidato a futuro desembargador, Fábio Uchôa parecia estar desfrutando de tantas câmeras de TV ao seu redor. Posou para fotos antes de o julgamento começar fazendo caretas, fez fotos do plenário com seu celular (ninguém podia usar celular no recinto) e na hora dos embates entre promotoria e defesa, preferiu virar a cadeira para trás e conversar com outro juiz.

Na plateia, acima e isolados por um vidro anti-ruído, vários parentes (filhos, noras e netos) e amigos de Fernandinho, que aproveitaram uma chance rara de vê-lo no Rio. Em determinado momento, Beira-Mar mandou beijos para eles. Durante o julgamento, por várias vezes reclamaram das acusações da promotoria. Na galeria também muitos advogados e estudantes de direito, que chegaram a tumultuar a entrada e atrapalhar o início do julgamento.

Fonte: Terra

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