Atropelando o Congresso: Pacheco avisa Haddad que reunirá líderes para decidir se devolve medida que revoga desoneração

0

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), avisou ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que deverá reunir os líderes do Congresso no início de janeiro para discutir a medida provisória que revogou a desoneração da folha de pagamentos para 17 setores da economia.

A MP foi publicada nesta sexta-feira, 29, e revoga decisão do Congresso Nacional de prorrogar até 2027 o benefício da desoneração da folha.

“Farei uma análise apurada do teor da medida provisória com o assessoramento da consultoria legislativa do Senado Federal. Para além da estranheza sobre a desconstituição da decisão recente do Congresso Nacional sobre o tema, há a necessidade da análise técnica sobre os aspectos de constitucionalidade da MP”, afirmou Pacheco, em nota divulgada em suas redes sociais nesta sexta.

“Há também um contexto de reação política à sua edição que deve ser considerado, de modo que também será importante reunir os líderes das duas Casas para ouvi-los, o que pretendo fazer nos primeiros dias de janeiro. Somente depois de cumprir essas etapas é que posso decidir sobre a sua tramitação no Congresso Nacional ou não”, acrescenta a nota do presidente do Senado.

Uma medida provisória pode ser devolvida ao presidente da República pelo Congresso em casos de flagrante inconstitucionalidade ou ilegalidade. A última vez que isso ocorreu foi em 2021, quando o então presidente Jair Bolsonaro (PL) enviou uma MP alterando o Marco Civil da internet e inviabilizando a retirada de conteúdo falso das redes sociais.

No caso da desoneração, Pacheco deve acionar a equipe de técnicos do Senado para fazer uma análise sobre a eventual devolução da medida.

Com o início da vigência da MP apenas em abril, Pacheco disse a aliados que há tempo para analisar com calma a iniciativa do ministro sem que isso afete a vida das empresas. Até lá, vale a desoneração como aprovada pelo Congresso e que está em vigor até 31 de dezembro.

O presidente do Senado ouviu de Haddad que o adiamento do início da vigência da MP para 1º de abril foi uma opção do governo para permitir o diálogo e chegar num acordo, sem que isso significasse um atropelo ao Congresso.

Parlamentares têm pressionado o presidente do Senado, que também preside o Congresso Nacional, a devolver a medida provisória, sem que ela sequer seja analisada pelo Parlamento.

O relator da medida, o senador Angelo Coronel (PSD-BA), disse que tratar de um tema já deliberado pelo Congresso via MP é perigoso e fragiliza a relação do Executivo com o Parlamento.

Nesta sexta, ele foi acompanhado o líder do União Brasil no Senado, Efraim Filho (União-PB). Ele é autor do projeto de lei que estendeu o benefício até 2027.

“O primeiro caminho seria o Pacheco devolver, já que o governo tenta impor uma agenda através de MP que ele não teve votos para sustentar em plenário quando da derrubada do veto”, disse Efraim.

Informações Estadão

DEIXE UMA RESPOSTA

Comentar
Seu nome