
Morreu neste sábado (11) aos 85 anos o ex-premiê de Israel Ariel Sharon. Ele estava em coma havia 8 anos, depois de sofrer um derrame, e recentemente seu estado de saúde havia piorado. De soldado a político e estadista, o 11º premiê de Israel teve uma carreira que foi tão gloriosa quanto controversa. Reconhecido como maior comandante militar israelense por suas estratégias em guerras nos anos 60 e 70, ele foi eleito premiê em 2001 para liderar o país que defendia fervorosamente. Quatro anos depois, Sharon foi responsável pela retirada unilateral dos colonos israelenses da Faixa de Gaza, pouco antes de ficar permanentemente incapacitado por um derrame. As imagens a seguir fazem uma retrospectiva da vida de um dos mais importantes políticos do Oriente Médio.
Sharon nasceu no dia 26 de fevereiro de 1928, em Kfar Malal, no então território palestino britânico, em uma família de judeus bielorrussos. Durante a infância e a adolescência, ele foi membro da juventude sionista e de grupos paramilitares, antes de entrar para a força paramilitar clandestina Haganah – milícia precursor da Força de Defesa Israelense -, aos 14 anos de idade.
A unidade de Sharon na Haganah se envolveu em sérias ações militares a partir de 1947, e ele se destacou durante a Guerra da Independência, em 1948, liderando uma companhia de infantaria e sendo ferido na Batalha de Latrun, quando levou vários tiros. Em 1953, depois de estudar na Universidade de Jerusalém, Sharon recebeu um pedido direto do primeiro-ministro para formar e liderar uma nova divisão de elite da Força de Defesa Israelense, chamada Unidade 101, cuja missão era realizar operações ofensivas de guerrilha em resposta aos ataques dos palestinos. Apesar de seu sucesso militar, a nova divisão foi condenada pelo massacre de Qibya, em outubro de 1953, quando 69 civis palestinos, entre eles crianças, foram mortos pelas tropas de Sharon.
Sharon comandou a Unidade 202 (Brigada Paraquedista) durante a Guerra Árabe-Israelense de 1956 sobre o Canal de Suez e recebeu a missão de tomar a área a leste da passagem Mitla no Monte Sinai. Ambos os lados sofream muitas perdas, mas foi a habilidade de Sharon como estrategista militar que finalmente levou à derrota dos egípcios. Mas nem tudo foi glória. Ele acabou sendo culpado pela morte de 38 soldados israelenses graças à agressividade desnecessária de Sharon no combate.
Sharon se aposentou do serviço militar em 1973 e fez sua estreia na política ajudando a formar o partido direitista Likud, nascido da fusão do Herut, do Partido Liberal e outros independentes. Sharon se tornou líder da campanha do partido para as eleições de 1973. Quando a Guerra do Yon Kippur eclodiu algumas semanas depois, com Egito e Síria atacando Israel em duas frentes em pleno feriado judeu, ele voltou ao exército e teve papel fundamental na guerra, sendo considerado responsável pela vitória de Israel.
Durante os anos 70, Sharon fez várias tentativas de voltar à política. Incapaz de conseguir a liderança do Likud, ele formou seu próprio partido, o Shlomtzion, que ganhou cadeiras no Knesset em 1977. Mais tarde, ele fundiu o partido com o Likud para se tornar ministro da agricultura. Sharon era favorável aos assentamentos e começou um programa que levou à criação de mais de 200 assentamentos judeus em áreas disputadas. Após as eleições de 1981, ele foi promovido a ministro da defesa.
Ariel Sharon voltou ao governo como ministro da indústria e comércio entre 1984 e 1990, tornando-se fundamental para a assinatura de acordo de comércio com os EUA em 1985. Ele também liderou um enorme programa de construção de casas para atender à crescente população de imigrantes vindos da URSS entre 1990 e 1992. O premiê Yitzhak Shamir impediu suas várias tentativas de comandar o Likud, mas Sharon participou da administração de Benjamin Netanyahu e, finalmente, se tornou líder do Likud após a eleição de Ehud Barak para o governo.