Os moradores do Vale do São Francisco têm enfrentado um desafio constante, a falta d’água. Em Petrolina, por exemplo, moradores dos bairros Loteamento Recife, Vila Marcela e tantos outros, estão desde a última a última quinta-feira (6) sem abastecimento de água.
A falta d’água prologada fez com que os reservatórios da maioria das residências acabassem secando, e muitos foram obrigados a resgatar uma prática antiga: o “banho de cuia”. Entre eles, esse blogueiro que vos fala, decidindo encarar a situação com um toque nostálgico e até um pouco de humor, mas também criticando a Compesa.
Eu que tive minha infância vivida na Ilha de Assunção, em Cabrobó, me vi transportado de volta ao passado. Pois a Compesa conseguiu a façanha de me fazer tomar “banho de cuia”, assim como fazia na infância. O banho de cuia naquele tempo era uma regra, e não uma exceção. Naqueles tempos, a água que não era encanada, era um bem precioso, e cada gota contava uma história de resiliência e simplicidade, mesmo vivendo às margens do Velho Chico.
Parafraseando o parnamirinense Chico Agra, que, em sua célebre música ‘Petrolina, Juazeiro’ gravada por Jorge de Altinho, diz: “Hoje me lembro que no tempo de criança”. Essas palavras, que descrevem um tempo de inocência e simplicidade, agora ecoam com uma nova ressonância. Os problemas enfrentados pela população nas décadas de 70 e 80 do século passado, continuam afligindo as novas gerações do século XXI.
Naquele tempo a gente pegava a cuia, enchia de água e tomava nosso banho porque era a forma que tinha, não existia água encanada, e hoje ao fazer o mesmo procedimento, temos total certeza da incapacidade da Compesa, pois mesmo com novas tecnologias e formas de se fazer engenharia, o problema continua o mesmo. A gente morando às margens do Velho Chico e tomando banho de cuia.
A Compesa, por sua vez, parece ter involuntariamente proporcionado a toda uma cidade uma viagem no tempo. A gente aqui em Petrolina está vivendo um pouco do que vivi na Ilha de Assunção. Uma simplicidade forçada, que nos faz valorizar cada gota d’água e relembrar que, mesmo nas dificuldades, ou melhor, na incapacidade da Compesa, é possível encontrar beleza e um pouco de humor.