A execução de Chang Song-thaek, o segundo nome mais importante da Coreia do Norte, e tio do líder Kim Jong-un, é um movimento brutal e potencialmente arriscado do jovem governante para assegurar seu predomínio político. Também mostra uma maior centralização e personalização do regime.
A execução rápida e sangrenta de Chang (relatos não confirmados mencionam que ele foi morto por uma metralhadora), quatro dias após a televisão mostrar ele sendo retirado de uma reunião do Partido Comunista por guardas armados, é relativamente rara em um país onde os líderes, não obstante a repressão autoritária do passado, tendem a remover os adversários sem alarde.
Também inusitada é a lista de crimes pelos quais Chang foi acusado, incluindo corrupção econômica e inadimplência financeira. Segundo as autoridades norte-coreanas, ele aspirava a um “estilo de vida capitalista e decadente”, era adepto da jogatina, desobedecia a hierarquia militar e, a acusação mais séria, estaria planejando um golpe para derrubar “o supremo poder do partido e do Estado”.
Em linguagem instransigente e injuriosa, a imprensa norte-coreana descreveu Chang como “escória desprezível”, “traidor de todas as eras”. Também o acusou de estar “contra o partido” e de mobilizar “elementos de facções contrarrevolucionárias”, em uma tentativa de derrubar a liderança do país.
