Júlio César Cavalcanti Elihimas solicitou apoio ao Grupo de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público. Assassinato ocorreu em área marcada por disputa de terra.
O promotor de Justiça de Barreiros, Júlio César Cavalcanti Elihimas, disse que o assassinato de Jonatas Oliveira, de 9 anos, é “típico de atividade de grupo de extermínio e pistolagem”. O menino era filho do líder rural Geovane da Silva Santos, presidente da Associação dos Moradores do Engenho Roncadorzinho, onde ocorreu o crime.
O menino estava escondido embaixo da cama, com a mãe, quando foi morto por homens encapuzados, que também feriram o pai dele com um tiro no ombro. O assassinato, ocorrido no dia 10 de fevereiro, foi o segundo episódio de violência contra a família desde 2021. No ano passado, homens invadiram e roubaram a casa.
“Eu já sou promotor de Justiça há quase nove anos e já atuo na área criminal há 22 anos. Um crime praticado com sete homens fortemente armados, encapuzados, é típico de atividade de grupo de extermínio e pistolagem”, afirmou o promotor de Justiça.
Júlio César também disse que, devido à suspeita de atuação de grupo de extermínio, solicitou apoio ao Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Pernambuco (MPPE).
“Na minha visão como promotor de Justiça, nós tratamos dessa forma [praticado por grupo de extermínio]. E, por isso, o Gaeco, o grupo de combate ao crime organizado do Ministério Público, irá atuar em conjunto com a Promotoria de Barreiros, para dar o suporte necessário à Polícia Civil durante as investigações”, declarou.
Ele se reuniu com o delegado Marcelo Queiroz, designado para atuar especialmente no caso pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco. Depois da reunião, estava marcado o depoimento de irmãos e tios do menino Jonatas.
No entanto, quando um irmão do menino começou a ser ouvido, o depoimento foi suspenso em menos de uma hora. O delegado de Barreiros, Tomás Nascimento, estava fazendo a oitiva, mas precisou sair.
Os crimes praticados contra a família do líder rural têm penas que podem ultrapassar 30 anos de prisão. Por isso, o promotor pediu calma e afirmou que qualquer informação sigilosa, se divulgada, pode atrapalhar as investigações.
“Crime complexo, crime de grupo de extermínio, não é tão rápido. A gente não pode dar uma resposta rápida e vir um trabalho ineficiente, que, lá na frente, os acusados podem ser absolvidos ou o processo ser anulado. Às vezes, a gente tem que ter um pouco de paciência, demorar mais um pouco, para ter um resultado, fechar em 100% a prova de autoria”, explicou.
Em dois anos, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) registrou, ao menos, 58 denúncias de ameaça de morte devido a conflitos no campo em Pernambuco. Com base nesses dados, referentes aos anos de 2020 e 2021 e divulgados nesta quarta-feira (16), 41 delas ocorreram na Zona da Mata Sul do estado.
Por meio de nota, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) se manifestou sobre o caso e disse que há dois recursos sobre o conflito das terras do Engenho Roncardorzinho no 2º Grau do Judiciário estadual. Como o conflito permanece, a Defensoria Pública se manifestou requerendo uma busca consensual do conflito.
Uma sessão foi realizada pelos desembargadores da 2ª Câmara Cível, em que foi determinada a intimação do Núcleo de Mediação do TJPE para a tentativa de conciliação entre as partes envolvidas. |G1|
