Medidas ditatoriais, práticas nazistas, atuação irresponsável da Anvisa e manipulação por parte das agências de checagem de notícias. Nesta quinta, médicos e pesquisadores da área de biologia molecular fizeram essas alegações contra as medidas anti-covid adotadas pelas autoridades sanitárias, durante audiência pública da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa. A reunião foi mediada pela deputada Clarissa Tércio, do PSC, que é membro titular do Colegiado. A parlamentar apontou a violação do direito constitucional de ir e vir na lei complementar que exige dos servidores estaduais a vacinação anticovid. Na opinião da deputada, a legislação do passaporte sanitário adotada em Pernambuco remete às ações adotadas em estados totalitários.
De acordo com norma estadual, os servidores estaduais que não comprovarem a vacinação contra a Covid-19 ou não apresentarem justa causa para não imunização, serão impedidos de permanecer nos locais de trabalho, sendo registrada a falta ao serviço até a efetiva regularização da situação vacinal. “Então, nós não podemos aceitar que o trabalhador ele seja forçado fisicamente, ou seja, constrangido, coagido psicologicamente e fisicamente a tomar a vacina contra a sua própria vontade, ferindo o direito da pessoa humana que é previsto na Constituição Federal”.
Em seguida, o deputado João Paulo Lima, do PCdoB, que faz parte da Comissão de Saúde como membro suplente, reagiu ao discurso antivacina: “Toda a ciência está mostrando a necessidade da vacina, que ela é importante. E é importante que nós disciplinemos. Vamos supor, o uso do cinto é lei e é obrigatório. Agora você vai dizer que ninguém usa cinto de segurança? Então, eu acho que a senhora, na condição de deputada, ter essa visão negacionista que toma conta do Brasil está sendo um desserviço à saúde pública e à defesa da vida”.
O médico virologista Paolo Zanotto, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo e defensor do uso da hidroxicloroquina, falou na sequência. Ele disse que a situação é tão conflitante, que até ganhadores do prêmio Nobel estariam sendo desacreditados por serem contra a vacina anticovid. Ele defendeu que o Parlamento interfira na ação das agências checadoras de fatos e questionou os divulgadores de ciência, que estariam agindo, segundo ele, como especialistas: “Por que que elas controlam o que é verdade? Por que que elas controlam o que eu posso dizer? Eu trabalho desde 1980 nessa área. 1983, pra ser mais preciso. Então como é que vem aí um moleque, de uma agência checadora de fatos, e diz que o que eu estou falando não tem sentido? Onde está a evidência, ele simplesmente fala que isso não foi comprovado, mas onde está a evidência fática do que ele está alegando?”.
O deputado Alberto Feitosa, do PSC, relatou que não tomou a vacina, e apresentou na Alepe, que exige de seus servidores o comprovante de vacinação, um laudo médico alegando justa causa para recusar o imunizante. O parlamentar vestia um adesivo com a estrela de Davi no fundo de cor amarela, representando o símbolo nazista para identificar os judeus. O adesivo continha a frase “não vacinado”. O deputado afirmou que se sente como judeu perseguido, e que as medidas adotadas pelo Governo do Estado e Prefeitura do Recife são comparáveis às práticas nazifascistas: “No meu entender, o Governo do Estado de Pernambuco, a Prefeitura da Cidade do Recife, todo e qualquer prefeito que adote essa medida de segregar as pessoas, fazem práticas claras do nazifascismo”.
Durante a reunião, foram ouvidos médicos de várias especialidades contrários às vacinas anticovid utilizadas no Brasil e no mundo. A médica especialista em Otorrinolaringologia Maria Emília Gadelha Serra afirmou que se tornou alvo de agências de checagem de notícias ao expor os riscos dos imunizantes. Segundo a médica, a população está recebendo “terapias gênicas” e não vacinas, mas a mídia não informa os efeitos adversos do tratamento: “Tem vários e vários relatos de médicos que vêm fazendo autópsias, mostrando a relação do risco da vacinação e a ocorrência dessas lesões como causa da morte, ao ponto de que 21 estados norte-americanos agora fizeram leis prevendo a dissolução dos corpos”.
Em setembro passado, uma agência de checagem de fatos do Brasil apontou que a médica teria utilizado dados falsos para contestar o uso de vacinas anticovid. Mestre em Engenharia Biomédica pela Universidade de Calgary, no Canadá, Giovanna Gomes Lara fez uma apresentação sobre como os imunizantes contra a Covid-19 agem no organismo. Segundo a pesquisadora, após a inoculação da vacina, o corpo se transforma em uma “fábrica de proteínas spike”, de efeitos ainda desconhecidos.
De acordo com Giovanna, entre os riscos dos imunizantes estão o desenvolvimento de doenças autoimunes e o potencial abortivo em grávidas. Segundo checagem do Grupo Globo realizada em junho, que ouviu diversos especialistas, é falsa a alegação de que as proteínas spike provocam efeitos como coágulos sanguíneos, doenças cardíacas, problemas de fertilidade ou reprodução e até mesmo danos cerebrais, como apontam médicos antivacina.
A Comissão de Saúde da Alepe também ouviu a advogada Arlene Graf. Ela relatou o caso do filho, Bruno Graf, que morreu em novembro aos 28 anos. Arlene alegou que a vacina contra a Covid foi a causa do óbito, e culpou a mídia pela perda do filho: “Nós fomos atrás da mídia televisiva, porque o que nós ouvíamos na TV o dia inteiro é o que nos leva ao erro. São mentiras, enganações, são discussões e omissões que falam desse experimento como se fosse a salvação. Mas vejam bem o que aconteceu com o meu filho… foi bem o contrário. O Bruno era saudável, não tinha nada”.
Segundo Arlene Graf, a morte do filho, ocorrida em novembro, ainda não foi noticiada nas emissoras de TV. Clarissa Tércio disse que um dos encaminhamentos da reunião será a divulgação ampla do caso relatado pela advogada.
