Casal de Cristãos é condenado à morte no Paquistão

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Um casal cristão paquistanês, acusado de blasfêmia, foi espancado até à morte e os seus corpos queimados na fábrica de tijolos onde ambos trabalhavam, na província do Punjab, revelou a polícia local.

É o último exemplo das atrocidades cometidas em nome de “um crime” que no Paquistão é punido com a pena de morte, ao abrigo da mais severa lei antiblasfêmia de que há registro e que os islamitas defendem com punhais e dentes. Desta vez não foram os tribunais, mas uma turba a fazer justiça pelas próprias mãos. “Uma multidão atacou e espancou até à morte o casal, a quem acusava de ter profanado o Corão”, disse à AFP Ben Yameen, oficial da polícia, identificando as duas vítimas apenas pelos nomes próprios, Shehzad e Shama.

Homem e mulher trabalhavam numa fábrica de tijolos – um setor que emprega cinco milhões de pessoas na Índia, muitas em condições de quase escravatura, situada na aldeia de Kot Radha Kishan, a uns 60 quilômetros de Lahore, e foi nos fornos onde o barro é cozido que os seus corpos foram lançados.

Há cerca de três milhões de cristãos no Paquistão, país de mais de 180 milhões de pessoas onde os muçulmanos sunitas são majoritários e as tensões religiosas são tão antigas como a própria nação. São, sobretudo pobres, que vivem acantonados e conseguem empregos subalternos. Nas últimas décadas, muitos foram condenados em tribunal ao abrigo das leis da blasfêmia, incluindo por profanação do Corão, mas foram poucas as vezes em que a pena de morte acabou por ser aplicada.

Entre eles está Asia Bibi, uma mãe de cinco filhos condenada em 2010 à pena capital, depois de ter sido acusada de blasfêmia por vizinhas muçulmanas com quem se tinha desentendido. O seu caso gerou protestos internacionais, mas ainda no mês passado um tribunal de recurso decidiu manter a pena.

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