Corpo de brasileira morta na fronteira entre México e EUA é liberado, e família pede ajuda por traslado

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Lenilda Oliveira dos Santos foi encontrada morta no Novo México após ser abandonada durante travessia ilegal; ela ficou sem água e comida em área desértica.

O corpo da técnica de enfermagem Lenilda Oliveira dos Santos, de 49 anos, encontrada morta em uma área desértica no Novo México, foi liberado nesta quinta-feira pelo Office of the Medical Investigator (órgão equivalente ao Instituto Médico Legal, no Brasil) da cidade de Albuquerque, nos Estados Unidos. A brasileira foi localizada sem vida em 15 de setembro por uma patrulha norte-americana perto da cidade de Deming. Moradora de Vale do Paraíso, em Rondônia, ela tentava atravessar a fronteira ilegalmente com um grupo de amigos, mas foi abandonada no caminho e provavelmente morreu de sede e fome.

Com a liberação do corpo, uma prestadora de serviços para brasileiros radicados nos EUA deu entrada nos trâmites para o traslado dos restos mortais. Segundo Kleber Vilanova, proprietário da empresa, o processo ainda deve demorar até 15 dias para que o corpo chegue ao Brasil.

Como ela foi abandonada no deserto, tem certos critérios e requisitos legais para a liberação. Ainda há uma investigação em aberto. Então o corpo dela foi transferido do IML de Deming para o de Albuquerque, capital do Novo México, onde fizeram perícia completa e autópsia. E só agora tivemos a liberação das autoridades para procurar uma funerária, a empresa que levará o corpo para o Brasil e o Consulado Brasileiro.” —  explicou Vilanova.

A funerária ficará responsável por preparar o corpo conforme os requisitos legais do Novo México e também de acordo com as exigências da companhia aérea que fará o transporte. Os custos do traslado serão pagos com dinheiro arrecadado em vaquinhas online que contam com apoio de parentes, amigos e demais membros da comunidade brasileira nos EUA.

Uma das vaquinhas, feita por uma das filhas de Lenilda, arrecadou pouco mais de R$ 17 mil até o momento. Em outra, promovida por Vilanova nos EUA, foram doados US$ 8,6 mil. Os custos para a repatriação do corpo são estimados em cerca de US$ 12 mil, aproximadamente R$ 63 mil na cotação atual.

A família quer realizar o velório e, por isso, serão feitos certos processos no corpo dela. Tem que fazer um empacotamento especial para preservar o corpo. Ainda não sabemos se a quantia arrecada vai dar para pagar tudo aqui nos EUA. Mas, no Brasil, realmente não se sabe como vão levar o corpo para Rondônia.” —  afirmou Vilanova.

Procurado, o Itamaraty afirmou que, por meio do Consulado-Geral em Houston, “acompanha com atenção o caso e está à disposição para prestar toda a assistência cabível, respeitando-se os tratados internacionais vigentes e a legislação local“. Disse ainda o traslado dos restos mortais de brasileiros falecidos no exterior para o Brasil é uma “decisão da família” e que “não há previsão regulamentar e orçamentária para o pagamento com recursos públicos“.

Ajuda para traslado

O transporte contratado nos EUA levará o corpo da brasileira somente até São Paulo. A família ainda estuda maneiras para que os restos mortais da vítima cheguem a Rondônia, onde Lenilda será sepultada. Os parentes tentam contato com autoridades e políticos da região para viabilizar uma aeronave.

Estamos pedindo ajuda para quem puder contribuir e que as autoridades tomem providências para que isso não ocorra mais. A gente precisa de alguma autoridade ou de um político que disponibilize uma aeronave para trazer o corpo até Rondônia, se tivesse como. Até agora ninguém se pronunciou.” —  disse Leci Pereira, irmão de Lenilda.

A brasileira deverá ser sepultada no município rondoniense de Ouro Preto, a cerca de 37 km de Vale do Paraíso, onde a família mora. Na cidade, estão enterrados outros parentes da vítima.

Lá está o túmulo do meu avô, do meu pai, do meu primo. E queremos enterrá-la junto com eles.” – afirmou Leci.

Morte do deserto

Lenilda atravessou ilegalmente a fronteira entre México e Estados Unidos. Ela estava viajando com alguns conhecidos de Vale do Paraíso, em Rondônia, onde morava antes de tentar a travessia. O grupo também estaria com um “coiote”. Durante a caminhada, Lenilda começou a ficar desidratada e não conseguiu continuar. Ela acabou abandonada pelos colegas e pelo “guia”.

Irmão da vítima, Moizaniel Pereira de Oliveira, 46 anos, disse ao GLOBO que Lenilda morreu rastejando para chegar a uma pedra, onde provavelmente buscaria se encostar e sombra.

Nós procuramos um advogado, que entrou em contato com a polícia de lá (Deming, uma cidade do Novo México). Os policiais foram para onde ela tinha mandado a localização, pelo celular, mas a Lenilda não estava no local. Então eles fizeram uma varredura em (um raio de) 5 milhas. O corpo dela foi encontrado na direção de uma rocha, ela morreu rastejando, tinha um rastro atrás dela. Provavelmente ela buscava um lugar para encostar e ter sombra.” — disse.

Enquanto esteve sozinha, Lenilda enviou áudios para a família. Nas mensagens, ela tentava mostrar otimismo e acreditava que seus colegas voltariam para buscá-la, conforme prometeram. Mas sua voz demonstrava que estava debilitada. “Eu estou escondida. Manda ela trazer uma água para mim, porque não estou aguentando de sede”, diz em uma das mensagens.

Fonte: O Globo

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