Cultura não é desculpa para a corrupção

0

charge-desvioverba

Uma frase dita ontem pelo advogado Mario Oliveira Filho, que defende o lobista Fernando Baiano, ilustra a tese corrente de que a corrupção faz parte da cultura brasileira. É esse raciocínio tortuoso que faz os donos do poder se acharem no direito de roubar: a ideia de que não se faz obra pública no Brasil sem “acerto” e que quem nega essa “verdade” desconhece a história do país.

– O empresário, se porventura faz alguma composição ilícita com político para pagar alguma coisa, se ele não fizer isso, não tem obra. Pode pegar qualquer empreiteirinha e prefeitura do interior do país. Se não fizer acerto não coloca um paralelepípedo no chão – disse Oliveira Filho.

O advogado acrescentou uma pérola a seu raciocínio: os empresários que pagam propina são “vítimas da cultura política do país”.

No mensalão, o ex-presidente Lula justificou os pagamentos feitos pelo PT aos partidos aliados com o argumento de que eram dinheiro de caixa 2. E que sempre foi assim. Agora, virou moda entre os aliados do governo defender a roubalheira na Petrobras dizendo que sempre foi assim, só que não se investigava, como se uma coisa justificasse a outra.

É verdade que o doleiro Alberto Youssef, preso na Lava-Jato e que fez acordo de delação premiada, debutou na mídia como personagem do escândalo milionário do Banestado, privatizado no ano 2000, e que ninguém foi punido.

Também é verdade que a construção de Brasília foi marcada por relações promíscuas entre o governo de Juscelino Kubitschek e as grandes empreiteiras, mas isso não pode ser motivo para o país aceitar como natural a roubalheira na Petrobras. Relembrando, Pedro Barusco, um simples  gerente que se aposentou em 2010, aceitou (no acordo de delação premiada) devolver US$ 100 milhões. Logo, ninguém pode dizer que é um suposto caso de corrupção.

Rosane Oliveira

DEIXE UMA RESPOSTA

Comentar
Seu nome