Quando jornais estrangeiros anunciaram que havia um vírus circulando na China que surgiu na virada do ano de 2019 para 2020, quase ninguém imaginava que, em cerca de um ano, mais de 10 milhões de empreendedores fechariam seus negócios.
Nenhum empresário, de qualquer tamanho que seja, estava pronto para uma pandemia. Mas quando as coisas foram se aproximando, logo foi possível entender que a crise não seria apenas sanitária, mas negócios de todos os tipos seriam impactados também por causa da situação econômica.
E não demorou muito para que a realidade aparecesse na porta de pequenas e grandes empresas. A partir de março de 2020, a necessidade do distanciamento social passou a ser a medida mais necessária para evitar o contágio do coronavírus. Por isso, muitos negócios se viram obrigados a se reinventar.
Nos dois primeiros meses de pandemia no Brasil, uma pesquisa do Sebrae mostrou que cerca de 90% dos pequenos empreendedores precisaram interromper as atividades temporariamente ou mudar o funcionamento.
Agora, mais de um ano depois do início da pandemia, é possível ver com mais facilidade qual é o impacto do coronavírus no empreendedorismo no Brasil.
CNPJs fechados
Em abril de 2021, uma pesquisa feita pelo Facebook, chamada Global State of Small Business Report (Relatório Global Sobre a Situação das Pequenas Empresas), mostrou que cerca de 25% das pequenas e médias empresas (PMEs) fecharam as portas em fevereiro de 2021 em todo o mundo. O número é maior que a edição desse estudo feita em outubro de 2020, que apontou um fechamento de aproximadamente 16% das PMEs.
Outro número importante foi divulgado em outra pesquisa do Sebrae, esta em parceria com o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP). De acordo com o órgão, mais de 10 milhões de brasileiros empreendedores encerraram o CNPJ da empresa durante a pandemia.
O número caiu de 22,3 milhões em 2019 negócios abertos há mais de três anos e meio para 12 milhões em 2020. Dessa queda, o número de mulheres que fecharam o seu negócio gira em torno de 70%.
Segundo o Sebrae, esse dado reflete a desigualdade de gênero também no empreendedorismo, já que muitas das mulheres precisaram encerrar as atividades para dar conta de outras obrigações com a família.
Novos negócios
Ainda segundo o Sebrae, a redução de empresas no Brasil só não foi maior porque muitas pessoas se viram obrigadas a começar um novo negócio em 2020 para conseguir se manter sem um emprego estável.
No Brasil, o ano de 2020 bateu o recorde do país na quantidade de empreendedores iniciais, que abriram o negócio em até três anos e meio. Foram cerca de 32,6 milhões, número que representa cerca de 23% dos adultos no Brasil, a maior desde que a pesquisa do Sebrae começou a ser feita, em 2002.
50% dos empreendedores iniciais alegaram abrir um novo negócio por necessidade, e 82% deles disseram que a escassez de emprego foi a deixa para tentar ganhar a vida com o empreendedorismo.
Há também profissionais que encontraram outra solução para driblar o desemprego: o trabalho autônomo. Para isso, quase sempre é necessário ter um CNPJ aberto como microempreendedor Individual (MEI). Carreiras como programador, desenvolvedor e redator são consideradas boas opções para quem busca esse tipo de serviço, também chamado de freelancer.
Recuperação econômica
Com o avanço da imunização no Brasil, muito já se fala na recuperação econômica do país. No entanto, a população segue desconfiada em uma breve retomada. 68% dos brasileiros não acreditam em recuperação econômica ainda em 2021, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em pesquisa feita em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe).
A última edição da pesquisa foi feita em junho de 2021, e somente 13% dos entrevistados acreditam que o Brasil volte a se estabilizar economicamente antes de 2022.
Essa falta de confiança da população, dos empreendedores e do mercado financeiro nacional e internacional pode dificultar o cenário econômico no país. Mas o empreendedorismo segue como tentativa de muitos brasileiros para tentar escapar da crise econômica provocada pela crise sanitária da pandemia.
