Em 2020, esses medicamentos representaram 35% das unidades vendidas e 15% do faturamento das farmácias.
Os medicamentos genéricos conquistaram o mercado nacional devido à qualidade e aos preços mais acessíveis. Desde as primeiras concessões nos anos 2000 até hoje, as vendas representam uma importante fatia da indústria farmacêutica.
O estudo “Perfil da Indústria Farmacêutica 2021”, divulgado pelo Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), mostrou que o mercado nacional de medicamentos movimentou quase R$ 77 bilhões em 2020, o que representa o crescimento de 11,4% em comparação com o ano anterior.
Ainda de acordo com o levantamento do Sindusfarma, os genéricos representaram quase 35% das unidades (caixas) comercializadas ao longo do ano passado e corresponderam a 15% do faturamento das vendas de medicamentos realizadas pelas farmácias.
O aumento das vendas do setor pode ser explicado pelo período da pandemia da Covid-19, em que as unidades de saúde passaram a demandar um volume maior de remédios e, também, a maior preocupação da população com a saúde durante o período de isolamento social.
O Brasil detém o sétimo maior mercado de medicamentos entre as 20 principais economias do mundo. Na América Latina, ocupa a liderança, sendo seguido por México, Colômbia e Argentina, nesta ordem, como aponta o Sindusfarma.
Preço é prioridade para os consumidores
Os medicamentos genéricos podem ser compreendidos como aqueles que “possuem os mesmos princípios ativos, na mesma forma e dose farmacêutica do medicamento de referência”, informa a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Por isso, também são administrados com a mesma posologia, pela mesma via e para a mesma finalidade.
A Anvisa esclarece que a principal diferença consiste no preço. O genérico é, pelo menos, 35% mais barato do que o medicamento de referência. Isso é possível pelo fato de não exigir os mesmos investimentos em pesquisa que um medicamento inovador necessita.
Assim, a Anvisa avalia que os genéricos contribuem para aumentar o acesso da população a medicamentos com qualidade, seguros e eficientes. E, de fato, o preço é o principal fator observado pelos consumidores, como revelou estudo realizado pela Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar).
Seja por meio da pesquisa de preços presencial ou da consulta de medicamentos na internet, a maior parte dos brasileiros define onde comprar por conta do preço. De acordo com a “Pesquisa Sobre o Comportamento do Consumidor em Farmácias no Brasil – Edição 2021”, 75,4% dos entrevistados escolhem as farmácias pelos valores praticados.
Outros fatores que pesam na decisão são a localização (14,9%), o estoque (5,1%), atendimento da Farmácia Popular (2,4%), bom atendimento (1,1%) e facilidade para estacionar (0,9%).
A pesquisa mostrou também que 62,6% dos entrevistados comparam, pelo menos, um medicamento genérico dentre as compras realizadas em farmácias no ano de 2020. O estudo foi realizado pelo Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Corporativa (Ifepec) em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
A discussão sobre a regulamentação dos medicamentos genéricos no Brasil teve início na década de 1970. Mas foi nos anos 1990, com a aprovação da Lei 9.787/1999, que foram estabelecidas as condições para a oferta de acordo com as normas das autoridades de Saúde, como explica a Anvisa em seu portal. Nos anos 2000, foram concedidos os primeiros registros para a produção e a importação.
Desde então, o setor se consolidou no país. Segundo estimativa da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró Genéricos), desde que esses medicamentos foram implantados no país, os brasileiros economizaram R$ 177 bilhões.
