Setor deve apresentar maior crescimento na próxima década.
Os últimos dois anos foram extremamente desafiadores para a indústria brasileira. A pandemia de Covid-19 e os fechamentos econômicos afetaram o setor, que registrou forte contração tanto nas vendas quanto na produção.
Isso significa que setores como produção de máquinas pesadas eeletrodomésticos tiveram alterações de demanda. Ao mesmo tempo, os índices de vacinação e redução nas mortes animam o setor, que deve registrar uma expansão maior ao longo desta década.
Mas quais são os reais impactos da queda da produção industrial? E quais dados servem de embasamento para eventuais melhorias?
Indústria na berlinda
O resultado negativo de 2021 foi impactado sobretudo pelos dados do quarto trimestre. Nesse sentido, a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) da IHS Markit registrou 49,8 em dezembro. Este foi o mesmo valor registrado em novembro.
De acordo com o índice, um nível abaixo de 50 já indica contração da atividade. A ISH Markit ressaltou o início de ano promissor para a indústria, mas a redução do último trimestre levou a uma queda geral.
“Apesar de começar 2021 com uma base sólida, o setor industrial encerrou o ano em contração. As empresas reduziram a produção e em geral interromperam os esforços de reabastecimento, já que a recuperação da demanda antecipada não se concretizou”, explicou a diretora associada de Economia da IHS Markit, Pollyanna De Lima.
Menor consumo das famílias
Conforme a explicação da IHS Markit, dois fatores tiveram peso relevante na queda da indústria. Em primeiro lugar veio a demanda das famílias, que caiu ao longo do fim do ano.
Nesse sentido, a inflação teve um papel relevante nesta queda, pois o índice fechou 2021 acima dos 10%. No entanto, alguns índices tiveram uma elevação ainda mais forte.
Com mais inflação, as famílias reduziram seu nível de consumo e os bens eletrodomésticos entraram neste corte. Com menos demanda, os estoques das empresas se elevaram, reduzindo também a demanda empresarial por nova produção.
Em segundo lugar, custos dos insumos continuaram subindo em dezembro, o que afetou as empresas. Os principais aumentos registrados foram no preço da energia, da matéria-prima e do transporte.
Como resultado, o setor de empregos também estagnou em dezembro, ficando no mesmo nível do mês anterior. Ainda assim, a indústria foi a terceira maior geradora do país, com 475.141 novas vagas. Os dados são doCadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Luz no fim do túnel
Apesar do fim de ano negativo, a pesquisa da IHS Markit também revelou que os empresários estão otimistas com 2022. Mesmo sendo um ano eleitoral — e, portanto, com mais volatilidade —, eles acreditam que as tendências de demanda e investimento melhorarão em 2022.
Segundo a pesquisa, o otimismo também está relacionado à esperança de que a pandemia diminua e que o setor doméstico se recupere. Para isso, um dos fatores é a expectativa de redução nos índices de inflação.
Desde que os preços começaram a subir, o Banco Central (Bacen) tem elevado a taxa Selic. Nos últimos seis meses a taxa subiu de 2% para os atuais 10,75% ao ano. E o Bacen promete novas elevações ao longo de 2022.
Elevar a taxa de juros é uma medida que eleva os custos das empresas e, em situações normais, causa recessão da atividade econômica. Neste caso, todavia, a redução da Selic tende a baixar a inflação, compensando seu efeito deletério.
Por isso, a expectativa do mercado é de que a indústria continue produzindo e crescendo a passos largos. A nota técnica Cenários Econômicos 2022-2031, publicada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), aponta que o setor industrial deve apresentar o maior crescimento na próxima década.
Nestas projeções, a indústria deve avançar em média 3,1% ao ano. Até 2026, o setor deve responder por 32,6% do consumo final de energia no país, o que indica ritmo acelerado de expansão.
