Rotulados como partidos “nanicos”, PSOL, PSTU, PSC, PEN e PRTB podem levar a disputa eleitoral deste ano para um eventual segundo turno e reverter o “apelido depreciativo”, como criticam seus dirigentes. Com intenções de voto entre zero e 3%, algumas dessas legendas atingiriam até 4,5 milhões de eleitores, no caso das eleições à Presidência da República.
Este número já tem despertado o interesse das legendas maiores, que ainda não atingiram um patamar confortável da preferência do eleitorado – acima dos 40%. Elas estão de olho no desempenho dos pequenos, que pode até mesmo ser um diferencial para se garantir um segundo turno.
“Chamar de nanico é pejorativo. Na verdade, a atuação deles é a pura defesa da democracia. Partidos que têm menor apoio ou expressão popular nunca tiveram tanta importância quanto estão tendo agora. Eles são elemento de troca de outras legendas, com seus 3% ou 4%, e levariam a eleição a um segundo turno por conta disso”, afirma o cientista político e professor da PUC Minas, Gilberto Barros.
Maduros
As condições desiguais de visibilidade e aporte financeiro não abatem, por exemplo, os veteranos José Maria Almeida, José Maria Eymael e Levy Fidélix, atuais pré-candidatos à Presidência da República, que já se lançaram ao Palácio do Planalto pelo menos uma vez, desde 1998.
Para Gilberto Barros, são as “pequenas pré-candidaturas” que trazem novidade para o debate político, por não temerem tocar em assuntos polêmicos, muitas vezes evitados pelas grandes siglas. “Eles têm menos a perder e têm direito a dizer o que os demais partidos não dizem. Faço até um elogio a eles, que prezam mais pelo caráter ideológico que pelas coligações espúrias. Com estratégias inteligentes, eles acabam se tornando conhecidos”, avalia o especialista.
Tarifa
Pelo PSOL, o senador Randolfe Rodrigues pretende apresentar alternativas na área de mobilidade urbana, como a tarifa zero nos ônibus municipais, e a redução do déficit habitacional nas grandes capitais do país.
“Os dez anos do governo do PT foram insuficientes para resolver essas demandas e as gestões do PSDB aprofundaram os problemas, em vez de sanar”, afirmou, durante passagem por Belo Horizonte, no início do mês.
Em entrevista coletiva antes de evento do partido na capital mineira, ele reclamou da falta de espaço para a “aliança de esquerda”, em referência ao PSOL, PSTU e PCB na mídia. Para ele, será nos debates com a sociedade civil e na televisão que as propostas das pequenas candidaturas ganharão força. “Temos sido vítimas de um bloqueio enorme, mas só nós poderemos apresentar algo diferente do que está aí sendo tratado por Dilma Rousseff (PT), Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB)”, afirmou.
Nome mais forte entre as pequenas candidaturas, aparecendo nas pesquisas com até 3% das intenções de voto, Pastor Everaldo, da Igreja Assembleia de Deus e vice-presidente nacional do PSC, avalia seu desempenho como um “crescimento natural” com o apoio dos deputados Marco Feliciano (PSC-SP) e Anthony Garotinho (PR-RJ).
O percentual alcançado por ele de 2,3% na pesquisa Sensus a 3% no Datafolha equivale a algo entre 4 e 4,5 milhões de votos, considerando o eleitorado de 2012 divulgado pelo TSE. Isso pode ser um diferencial para definir a ocorrência de segundo turno na eleição presidencial. A o Hoje em Dia, ele conta que não se compara a outras legendas e não se considera radical. Entre as propostas, Pastor Everaldo se dedica à defesa do “Estado mínimo”, do municipalismo e das pretensões de enxugar a máquina do governo federal para 20 Ministérios. “Hoje, o Estado é inchado, aparelhado e não atende às demandas da população. Quero passar (as empresas públicas) para a iniciativa privada porque sem estatal não vai ter como fazer negociata. É a melhor maneira de combater a corrupção”, afirma o pastor.
