Ontem terça-feira, 4 de março, foi uma data simbólica para os organizadores da Copa do Mundo. Afinal, faltam exatamente 100 dias para o maior evento de futebol do planeta. E sabe qual a única referência para essa data que vi no Recife? O relógio que fica instalado na avenida Agamenom Magalhães, que está instalado no local quando ainda faltavam mil dias para o Mundial.
Quando o relógio foi instalado, havia uma proposta de divulgação da Copa na qual se previa a realização de um evento, a cada cem dias, para celebrar a proximidade do Mundial. No entanto, o que se vê são os receios de protestos (como aconteceu durante a Copa das Confederações e que se acontecerem novamente nas proximidades da Copa do Mundo pode desagradar a Fifa), dúvidas quanto à conclusão das obras de viabilidade e até de alguns estádios, questionamentos sobre os benefícios que a Copa pode trazer. No Recife, o assunto que mais causou barulho, no entanto, foi a desistência da prefeitura do Recife em realizar a Fan Fest.
Copa do Mundo deve custar cerca de R$ 30 bilhões para o país.
R$ 26 bilhões. Esse é o custo da Copa de 2014, de acordo com a última atualização da Matriz de Responsabilidades, documento que reúne todas as intervenções relacionadas com o Mundial a cargo do governo federal, dos governos estaduais e cidades-sede. A lista tem de obras em estádios a projetos na área de turismo, passando por telecomunicações, portos e segurança, entre outros, formando um quadro completo.
No entanto, esse valor está defasado (há estimativas de que, no final, a conta baterá nos R$ 30 bilhões). Isso porque a última atualização da Matriz foi feita em setembro do ano passado – teve uma atualização em novembro, basicamente para a retirada do documento de obras que não ficarão prontas até a Copa.
Dessa maneira, não entrou no cálculo despesas como as com as estruturas temporárias, exigência da Fifa para todas as arenas do Mundial. Em média, o custo vai ser R$ 40 milhões por estádio, a serem gastos com itens diversos, entre eles aluguel de tendas, aparelhos de raio X e implantação do sistema de tecnologia de informação.
Essa é uma das pendências na preparação para a Copa. A 100 dias de a bola rolar, a maior parte das cidades ainda não viabilizou a aquisição de materiais e equipamentos que compõem o aparato das temporárias. Pior, em alguns casos ainda há discussão para definir quem vai pagar a conta.
Há sete anos que os governantes sabiam que a Copa do Mundo seria no Brasil. Tudo ficou para a última hora. Falta de interesse, desleixo ou estratégia para que tudo seja aprovado da forma como convém?
Bom, sempre encarei a realização da Copa do Mundo como algo que poderia revolucionar o esporte no Brasil de uma maneira lúdica, com forte poder de integração e, ao mesmo tempo, como uma forma de gerar negócios. Mas às vésperas do evento, surgem muitas dúvidas. Confesso que não existe um clima positivo para o evento. O Carnaval deveria ser um prato cheio, mas não foi.
Espero que, quando estiver faltando 50 dias (outra data marcante), o panorama mude.
Agência Estado
