A sessão da câmara de vereadores da cidade de Orocó é realizada sempre as manhãs de quinta feira. A sessão de hoje acontecia normalmente com os parlamentares fazendo uso da tribuna, os de oposição levando as queixas da população, reclamando da necessidade de melhoramentos na prestação dos serviços público, isso em relação à educação e saúde. Também foi apresentado denuncias de transportes escolares em condições inadequados para o uso, tendo em vista, segundo o parlamentar denunciante, da falta de manutenção do veiculo. O governo por sua vez, rebateu as criticas e denuncias, apresentou as argumentações em alguns casos, também usou da arma das criticas fazendo menção ao governo anterior.
As criticas e comparações de governos, serviram como ponto de inicio para se desencadear um acalorado debate. Acusações e denuncias, somados as trocas de farpas, foi o suficiente para o presidente encerrar a sessão. Mesmo com o fim da sessão, os parlamentares envolvidos nas discussões continuaram com o bate boca, o clima ficou tenso e chamou a atenção de quem passava por perto da sede do poder legislativo do município de Orocó. Por fim, sobrou até para a imprensa. Relembrando os tempos da ditadura o ódio invadiu o recinto, ao tom de ameaças e de tentativas de intimidações. Essa pratica foi varrida da política brasileira já faz algum tempo, o sentimento do ódio em nada contribui com o amadurecimento cada vez mais necessário da democracia brasileira.
Tudo isso, nos dá a oportunidade de relembrar a luta de grandes homens na busca pela redemocratização do país. Em 1982, o senador Marcos Freire, então candidato ao governo de Pernambuco, andava o estado e em todas as cidades, inclusive Orocó, foi eternizadas as celebres frases dos seus discursos. “Vamos governar Pernambuco, sem ódio e sem medo”. Marcos Freire perdeu a eleição, mas deixou os ensinamentos, fazer as coisas independentemente de qual que seja sua função ou posição, sem se deixar levar por coisas pequenas, sim usar da grandeza de fazer, “sem ódio e sem medo”. Marcos Freire morreu em setembro de 1987, vitima de um acidente aéreo. Na ocasião Marcos Freire era ministro de estado da Reforma Agrária, do governo de José Sarney.
