Apesar de não ter mais mandato, o ex-deputado federal Osvaldo Coelho não deixa de acompanhar o cenário político-administrativo da região. Neste artigo, por exemplo, o líder do DEM mostra-se veementemente contra a vigência do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) adotado pela Univasf.
O governo federal tinha o vício de somente construir universidades nas capitais brasileiras. Haja vista que Pernambuco, anos atrás, só tinha duas instituições de nível superior, que eram a Universidade Federal de Pernambuco e a Universidade Federal Rural de Pernambuco. O sertão clamava muito pelo ensino superior e eu adotei essa bandeira. Acreditei que os esforços deveriam ser endossados para que o sertão tivesse a sua própria universidade.
A ideia inicial era trazer o campus da Universidade Rural de Pernambuco ou da Universidade Federal de Pernambuco para Petrolina. Mas a dificuldade imposta pelas faculdades foi enorme, que a alternativa foi buscar apoio de outras formas. Um dos aliados para a concretização dessa ideia foi o saudoso ex-ministro Paulo Renato.
Esgotamos a hipótese de construirmos os campus e partimos então para a ideia da edificação de uma universidade no sertão. Em uma das minhas visitas à Califórnia, nos Estados Unidos, o reitor da Universidade de Fresno me disse uma frase que nunca esqueci: “Não é o aluno que tem que ir atrás da escola, mas a escola que tem que ir atrás do aluno”. Essa frase se tornou o pontapé do projeto para trazer o ensino superior para o semiárido.
Imediatamente procurei o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e expus o que o reitor da universidade tinha me dito. Nessa conversa surgiu o projeto inicial da construção da Universidade Federal do Vale do São Francisco. Anos depois a Univasf foi implantada e bem estruturada. No entanto, há quatro anos o Enem foi implantado na Univasf e a universidade, que era para ser a favor do Vale do São Francisco, passou a ser a favor do Brasil.
A princípio, a instituição contemplava os estudantes da região que ingressavam a partir dos seus conhecimentos. No curso de Medicina, por exemplo, eram disponibilizadas 60 vagas e todas elas eram preenchidas pelos alunos sertanejos. Com o Enem, apenas cerca de 20 vagas são preenchidas pelos estudantes do Vale e as outras vagas são para alunos do Rio Grande do Sul, Fortaleza, Salvador, etc. Nós passamos a ajudar o Brasil, mas é o Semiárido quem precisa de ajuda do Brasil.
Algumas universidades federais como a de Pernambuco e Minas Gerais não aceitaram o Enem. Então, é errado a Univasf aceitar o Enem. Faltou uma ação política vigorosa para defender os jovens sertanejos.
Eu tenho conhecimento e contato com jovens do Vale que ingressaram em instituições de nível superior em outros estados brasileiros e não têm condições financeiras para se sustentarem nesses locais. Isso é errado. A Univasf deixou de ajudar os estudantes sertanejos. Se nós não tivéssemos o Enem, nós formaríamos em torno de 60 médicos por ano no Vale.
As manifestações contra o Enem no Vale do São Francisco ainda não fizeram efeito, mas elas têm que fazer. Nós construímos uma universidade para o sertão, e não para o Brasil. Nós não temos potência para ajudar o Brasil. Nós temos a necessidade que o Brasil nos ajude. Essa bandeira está na hora de ser honrada e principalmente agora, no período de eleição para presidente da República. O meu candidato vai estar ciente desse problema. Nós temos que identificar a origem das nossas falhas e lutar para que os erros sejam corrigidos.
