Eram 61 minutos e 22 segundos de jogo quando a perna esquerda de Arjen Robben buscou o canto direito de Iker Casillas depois de receber passe impecável de Sneijder. O estádio Soccer City, em Joanesburgo, silenciou. Parecia cena de faroeste: atacante da Holanda contra goleiro da Espanha – o primeiro a sacar, ganha. E deu Casillas. Um leve desvio impediu que a bola entrasse e ajudou a Espanha a ser campeã do mundo de 2010 contra a Holanda.
O jogo ainda estava 0 a 0 quando ocorreu o lance. A final poderia ter tido outro destino se Robben tivesse feito aquele gol. Mas não fez. E o título, graças a gol de Iniesta na prorrogação, ficou com a Espanha.
A reação de Robben depois de perder o gol é emblemática. Ele leva as mãos à cabeça, cai de joelhos no chão e fica olhando para o horizonte. Parece sentir que aquele era o momento da derrota. De certa forma, efetivamente foi. E agora, passados quatro anos, ocorre o reencontro – justamente na estreia das duas seleções na Copa. Robben leva sua dor a campo. E espera conseguir amenizá-la.
– Isso vai fazer parte de mim durante toda minha vida. Mas estamos focando em algo diferente na partida, então o que aconteceu lá atrás não conta mais – disse o craque.
Mas o lance volta à mente de Robben como um pesadelo. Um pesadelo intermitente, que já dura quatro anos. No Bayern de Munique, da Alemanha, ele é companheiro do espanhol Javi Martinez. E já comentou com ele sobre a dor que aquele lance ainda rende.
– Já falamos sobre isso. Para a Holanda, foi muito duro o lance que Iker parou. Antes da final da Champions, falamos, e Robben disse que se tivesse a chance, não falharia novamente, como não falhou – afirmou Javi Martinez, em referência ao gol marcado por Robben contra o Borussia Dortmund na final da Liga dos Campeões da Europa de 2013.
Casillas e Robben tiveram outro reencontro recente. E marcante. E novamente favorável a Casillas. O Real Madrid atropelou o Bayern nas semifinais da Liga dos Campeões deste ano, com goleada por 4 a 0 na Alemanha. Foi à decisão e conseguiu o título. Mas nada disso impede o goleiro de valorizar muito o craque adversário, que foi seu colega no clube espanhol.
– Robben é um jogador muito rápido. Já esteve comigo no Real Madrid. É um jogador vital. Joguei com ele várias vezes, na seleção e por clubes, e sempre foi determinante. Ele teve mais sorte em algumas vezes e eu em outras. Na Holanda, entraram pessoas mais jovens, mas há três pilares de nível internacional (Robben, Sneijder e Van Persie) – comentou o goleiro.
Espanha e Holanda duelam às 16h na Arena Fonte Nova. O jogo é válido pelo Grupo B, que também tem Chile e Austrália.
