Considerando o que foi veiculado sobre a minha pessoa, na condição de secretária municipal de saúde, na casa legislativa e em algumas mídias locais, no último dia 05 de maio do corrente ano solicito. Venho requerer o direito de resposta, para que possa prestar os devidos esclarecimentos em resposta à forma deturpada exposta pelo vereador Ramsés Sobreira na próxima última reunião ordinária. Os assuntos para os quais peço espaço para tratar são o parto cesáreo que realizei no ano passado da ocasião do nascimento do meu primeiro filho e realizado em Petrolina por indicação médica, em função de uma patologia DESCOLAMENTO PREMETURO DE PLACENTA e não por escolha pessoal ou baseada por não confiar na atenção prestada em Cabrobó. Aliás, tenho com documento comprobatório da minha confiança na rede municipal, o cartão de pré-natal realizado na Unidade de Saúde da Família Cacilda Brandão Cavalcanti, localizada no Bairro Beira Rio. É pelo desconhecimento do referido vereador sobre questões obstétricas e pela forma deturpada e oportunista como veiculou informações pessoais de uma cidadã, que peço a veiculação desse esclarecimento.
Também elucidar o caso relacionado à paciente Ana Lúcia Gomes Lourenço, com quem a secretaria de saúde e os profissionais do Hospital municipal se solidarizam de forma sincera. Precisamos esclarecer, como representantes de uma área técnica que atua com base em conhecimentos científicos e não guiados por parâmetros políticos-eleitoreiros, o que ocorreu no caso da referida paciente. Primeiro precisamos deixar claro que seguimos orientações da Organização Mundial de Saúde que define que uma gestante pode aguardar o parto acontecer até 42 semanas de gestação. Ana Lúcia deu entrada no nosso hospital segunda-feira dia 27/04/2015, referindo que não estava sentindo nenhum sintoma ou sinais de que o parto ocorreria naquela data. Disse que “achava que estaria passando da data de nascimento do seu bebe”. Então procedemos à análise da documentação do pré-natal para averiguação da condição de pós-datismo referido por ela. Pelo cartão foi visto que ainda não estava na data, mas ela se encontrava muito ansiosa e à visão clínica, volume abdominal parecia incompatível a Idade Gestacional (tempo de gravidez), procedemos à conduta assistencial. Na oportunidade a gestante informou que fumava com freqüência. Não se pretende com isso elencar culpa relacionada ao hábito de fumar, mas esse é um dos mais arriscados hábitos na gestação para o bebê e é obrigatório ao profissional avaliar riscos, pois as inúmeras toxinas do cigarro podem levar a sérios problemas ao feto ainda na barriga e após o nascimento, inclusive à morte. Alguns dos efeitos mais conhecidos são elevações abruptas do batimento cardíaco pelo efeito imediato da nicotina no coração. Pesquisas provam que o cigarro prejudica o aparelho cardiovascular do bebê, danificando vasos sanguíneos e limitam o crescimento da criança dentro do útero. Contudo, não foi negligenciado qualquer cuidado a Ana Lúcia. No mesmo expediente ela foi levada para ser avaliada pelo cirurgião que estava de plantão. O mesmo, explicou novamente que pela clínica e com base nas orientações da OMS não havia indicação médica para realizar a cesárea naquele dia. A gestante, porém, retornou ao hospital no dia seguinte, ainda muito ansiosa e nervosa. Para que se pudesse avaliar melhor sua condição e reduzir sua ansiedade, ela foi regulada para o hospital de referência em Petrolina, que por 3 vezes negou a vaga pois não encontrava motivos clínicos para o encaminhamento, reforçando e respaldando a conduta do hospital de Cabrobó.
Devido a incessantes pedidos e muita insistência da equipe de Cabrobó, a regulação liberou senha para o Hospital Materno-infantil de Juazeiro, tendo recebido Ana Lúcia no início da noite, com batimentos cardíacos do feto normais na chegada à maternidade referida. A partir desse momento, enquanto gestão de Cabrobó, não temos como relatar o ocorrido no interior da maternidade, o que pode ser melhor colhido com a própria Ana Lúcia e com a direção da maternidade de Juazeiro. Como registra esse documento, não houve negligência no hospital municipal de Cabrobó e sim uma assistência adequada à situação clínica, o que é orientado por órgãos internacionais, pois realizar uma cesárea sem indicação é tão ou mais arriscado para a mãe e para a criança quanto aguardar o tempo máximo limite de 42 semanas. Uma criança prematura tem um alto risco de morrer por questões diversas, principalmente cardíacas e respiratórias. A mãe cesariada também passa a correr riscos sérios, pois é um procedimento cirúrgico de porte médio.
Os esclarecimentos aqui prestados vêm trazer elucidação e posicionar formalmente a Secretaria de Saúde ante ao fato ocorrido e desfazer versões mal-intencionadas do que ocorreu.
Solidarizamos-nos com Ana Lúcia e entendemos sua consternação, bem como nos colocamos à disposição para tentar esclarecer e agir ante ao ocorrido na maternidade de Juazeiro, local onde o fato culminou em morte da criança.
Ressaltamos que estamos à disposição desta casa (Câmara de Vereadores) e da sociedade como um todo para quaisquer e maiores esclarecimentos.
JOSEANE RAFAELA SANTOS DE ANDRADE
– Secretária de Saúde –
