Russos se aproximam de Kiev por terra nesta sexta-feira, 25, e ataque com tanques à cidade é esperado para as próximas horas.
Novas explosões ocorreram em uma série de cidades da Ucrânia e na capital Kiev na madruga desta sexta-feira, 25, no que é o segundo dia de invasão russa ao país. Além dos ataques aéreos, tropas russas chegam a Kiev por terra, vindas da fronteira com Belarus, aliado russo.
Soldados russos já estão nos arredores da cidade e chegaram ao distrito de Obolon, ao norte de Kiev. O governo local pediu aos civis que “façam coquetéis molotov para neutralizar o inimigo”.
Duas fortes explosões foram ouvidas no centro de Kiev. O exército da Ucrânia relatou “disparos de mísseis” contra a capital e a destruição de dois deles pelos sistemas de defesa. Pouco antes das 7h (horário de Brasília), sirenes foram novamente disparadas na capital, alertando para risco de novo ataque.
Nas primeiras horas da sexta-feira, um prédio residencial ficou em chamas após ser atingido por destroços de uma aeronave russa abatida.
O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, informou que três pessoas ficaram feridas, uma delas em estado crítico, em um bairro residencial ao sudeste da capital.
Oficiais ucranianos esperam que tanques russos adentrem novas áreas de Kiev ainda hoje, incluindo a região onde está a sede do governo.
No primeiro dia de invasão russa, na quinta-feira, ao menos 137 ucranianos, incluindo civis, foram mortos, segundo as autoridades do país, com mais de 300 feridos. A Ucrânia afirma que morreram cerca de 50 soldados russos e diz ter danificado seis aeronaves.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, fez discurso nesta sexta-feira afirmando que o país foi abandonado pelo restante do mundo.
“Nos deixaram sozinhos para defender nosso Estado”, afirmou em um vídeo publicado na conta presidencial. “Quem está disposto a lutar conosco? Não vejo ninguém. Quem está disposto a dar à Ucrânia uma garantia de adesão à Otan? Todos estão com medo”, lamentou.
Zelenskiy negou que tenha saído do país. “Vou ficar na capital” disse ele, acrescentando que sua família também estava na Ucrânia, mas que ele não poderia divulgar sua localização. “O inimigo me marcou como alvo nº 1, minha família, como alvo nº 2. Eles querem destruir a Ucrânia politicamente destruindo o chefe de Estado”, afirmou.
Nas últimas horas, Zelenskiy esteve em contato com o premiê britânico, Boris Johnson, e pediu que o Ocidente aumente sanções contra a Rússia, para além do pacote anunciado ontem, visto como insuficiente.
Fila nas fronteiras
No oeste do país, mais distante da divisa com a Rússia ao leste, a fila de carros na fronteira com a Polônia e a Hungria envolve uma espera de mais de 15 horas, segundo agências internacionais. Há ainda restrições de combustível e filas nos postos em todo o país.
Com a lei marcial decretada ontem na Ucrânia e a convocação de reservistas do exército, parte significativa dos homens não está mais autorizados a deixar o país. Na fronteira, segundo agências internacionais, muitos homens têm ido somente levar as famílias.
