Um dia histórico para a ciência

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A honra de dar o pontapé inicial na cerimônia de abertura da Copa do Mundo, hoje, em São Paulo, caberá a um paraplégico que usará um traje robótico similar ao do personagem dos quadrinhos Homem de Ferro, e criado por um cientista brasileiro.

O médico brasileiro Miguel Nicolelis chefiou uma equipe internacional de 156 pesquisadores para criar um exoesqueleto futurista, desenvolvido para permitir que vítimas de paralisia possam andar.

Durante a cerimônia de abertura da Copa do Mundo em São Paulo, um paraplégico cuja identidade tem sido mantida em sigilo, deixará para trás a cadeira de rodas para entrar no gramado usando o traje e dar o pontapé inicial do torneio.

Circuitos elétricos instalados nos “pés” do traje enviarão um sinal de retorno ao usuário através da pele artificial que cobrirá seu braço, transmitindo a sensação de movimento e contato. “É a primeira vez que um exoesqueleto é controlado por atividade cerebral e oferece ‘feedback’ aos pacientes”, declarou Nicolelis, neurocientista da Universidade Duke, na Carolina do Norte (EUA).

“Este tipo de pesquisa começou há quase 14 anos com a equipe do professor Nicolelis. Atualmente, existem 150 cientistas de todo o mundo envolvidos no projeto, principalmente a partir de neurociência e robótica”, explica Antonio Espingardeiro, especialista em robótica e automação do Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE). O projeto é financiado pela Finep, empresa pública do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com R$ 33 milhões.

O traje chama-se BRA-Santos Dumont, uma combinação das três primeiras letras usadas para identificar o Brasil em competições esportivas e Alberto Santos Dumont, o pai da aviação brasileira. Parte fundamental do projeto é a interface cérebro-máquina, uma tecnologia que possibilitasse a leitura de sinais elétricos produzidos pelos neurônios e, a partir desses sinais, controlar a máquina. “Ser capaz de filtrar os sinais do cérebro direito é crucial. O maior desafio, no entanto, é muitas vezes esses sinais contêm interferências que tornam difícil trabalho de traduzir pensamentos em ações a uma máquina, como um exoesqueleto”, afirma Espingardeiro.

A fase de testes foi concluída em maio passado. Os resultados serão apresentados à comunidade científica por meio de publicação em revistas científicas nos próximos meses. “É apenas o começo de uma longa jornada. O sistema de controle e o próprio exoesqueleto ainda estão longe de comercialização. É preciso muito mais pesquisa e desenvolvimento”, avalia o especialista do IEEE.

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